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Allen Ginsberg e Tchekhov estão entre os autores que inspiram Bob Dylan

Artista se torna único a conquistar Nobel, Oscar, Grammy e Globo de Ouro

Cantor ganhou Nobel por seus modos de expressões poéticas
Cantor ganhou Nobel por seus modos de expressões poéticas Foto : Gus Stewart / AFP / CP
A música e as letras do mais novo Nobel de Literatura, Bob Dylan, inspiraram muitos artistas ao longo da carreira. Mas, por trás de um dos maiores ícones da música, também há influências literárias que mostram a transdisciplinaridade da arte e que ajudaram a formar o lirismo poético do cantor de voz enigmática e marcante. Nas páginas de um de seus livros publicados, “Crônicas - Volume 1", lançado em 2005 e esgotado no país, ele tece comentários sobre livros que marcaram sua vida.

Confira alguns dos autores que moldaram a trajetória pessoal e profissional do “Mr. Tambourine Man”.

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Allen Ginsberg
Bob Dylan é fã do movimento Beat da década de 1950. O cantor aponta o poeta e amigo Allen Ginsberg como sua maior influência na escrita. Os dois participaram de transições artísticas importantes, tocados e apoiados pelo outro. Dentro e fora do mundo artístico, o seu relacionamento durou décadas. Depois da morte de Ginsberg em 1997, o cantor, que era fã particularmente do livro “Howl e Outros Poemas”, performou "Desolation Row" em um show e dedicou ao amigo, pois era a preferida dele. No disco “Bob Dylan and the Band: The Basement Tapes”, há uma música em homenagem a ele: "See You Later Allen Ginsberg”

Jack Kerouac
Bob Dylan foi obcecado com o movimento Beat da década de 1950 e amava as obras de Jack Kerouc, dando destaque para as frases “sem fôlego e dinâmicas”. Ele leu “On The Road” em 1959 e afirmou que “mudou sua vida, assim como mudou a de todos que a leem”. Em “Crônicas”, Dylan descreve sua mudança para Minneapolis, onde foi estudar: "Acho que o que eu estava procurando era o que eu li sobre em 'On the Road' - procurando pela grande cidade, procurando a velocidade, o som dele, olhando para o que Allen Ginsberg chamou de 'mundo do jukebox de hidrogênio. O livro foi como uma Bíblia para mim”.

Woody Guthrie
"Bound for Glory", a autobiografia do cantor folk Woody Guthrie é amplamente citada como uma das maiores influências de Dylan. O livro chegou em suas mãos pela primeira vez em setembro de 1960, quando ele estava na universidade. Em “Crônicas”, ele descreve ter lido a obra “como um furacão, totalmente focado em todas as palavras, e o livro cantava para mim como se fosse rádio”. No mesmo ano, em um show em Nova Iorque, ele disse para o público que “estava viajando o país seguindo os passos de Woody Guthrie.

Arthur Rimbaud
Durante toda sua carreira, Dylan referenciou Arthur Rimbaud como uma de suas maiores influências. Ele descreve a primeira vez em que leu o poeta francês do século XIX: “eu tive contato com um poema chamada ‘'Je est un autre,' que é traduzido como ‘'I is someone else’ (Eu é um outro). Quando eu li essas palavras, os sinos dispararam. Faz todo o sentido. Eu queria que alguém tivesse mencionado isso para mim antes”. Na canção, “You're Gonna Make Me Lonesome When You Go”, o artista canta que suas experiências amorosas foram tempestuosas como a relação entre Rimbaud e Paul Verlaine.

Henry Miller
O livro "Trópico de Câncer", considerado obsceno e por isso proibido nos Estados Unidos até 1961, foi citado por Dylan em uma entrevista à revista Playboy em 1978 como um de seus preferidos. Ele disse que Miller era o maior autor da América, e chamou “Trópico de Câncer”. O cantor também afirmou que admirava não somente a escrita “efusiva, grande, quase gigante”, mas também a metodologia de produção, baseada em onze mandamentos.

Anton Tchekhov
“Tchekhov é meu autor preferido”. A frase de Dylan, também na entrevista à Playboy, causou frenesi na comunidade literária, e o cantor teve que se explicar mais tarde. Em um dos capítulos de “Crônicas”, ele admite que seu álbum “Blood On the Tracks” é inspirado nas pequenas histórias e contos do escritor russo e conta que visitou o túmulo dele quando esteve em Moscou. "Ele exerceu uma influência enorme sobre o desenvolvimento da dramaturgia do mundo, rompendo com todas as regras antes existentes", disse. O cantor também afirmou que gosta do contista pois ele proporciona uma aproximação com a cultura e os costumes da Rússia, tida historicamente como uma inimiga dos Estados Unidos.

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