Almeida Faria, de 72 anos, é uma das principais vozes da literatura portuguesa, ajudando a pensar e tentar resolver questões de identidade de Portugal pós-Revolução dos Cravos (1974). O alentejano traz esta bagagem à Feira do Livro nesta quinta-feira, quando participa de duas atividades. Às 18h, na Sala Oeste do Santander (Sete de Setembro, 1028), fala de sua obra com Luiz Antonio de Assis Brasil e Jane Tutikian. Já às 20h, no Memorial do RS (Sete de Setembro, 1020), autografa dois livros lançados pela Cosac Naify: “A Paixão” e “Murmúrio do Mundo”.
Assis Brasil lembra que Faria é um escritor que consegue articular o relato intimista do personagem com a história de Portugal. “É vinculado à questão de que Portugal ainda é uma coisa a ser resolvida”. Ele dá como exemplo o livro “O Conquistador”, em que o personagem Sebastião, de 24 anos, narra em primeira pessoa e cria uma analogia com o mito do Sebastianismo - a questão do Dom Sebastião, o rei português que perdeu o combate de Alcácer-Quibir em 1578 e desapareceu. “Na literatura dele está o plano de discussão da nacionalidade portuguesa ligada à individualidade”, frisa.
Jane comenta que Almeida Faria surgiu para a literatura aos 19 anos, com “Rumor Branco”, de 1962. “O livro gerou grande discussão na época, se pertencia ao Nouveau Roman ou neorrealismo. Não havia história, trabalhava com a fragmentação do ser humano pela narrativa fragmentada.” Ainda segundo ela, com as duas primeiras obras da Tetralogia Lusitana, “A Paixão” e “Cortes”, ele dá outro contexto histórico e político à Semana Santa.
Almeida Faria fala sobre literatura portuguesa na Feira do Livro
Escritor comenta sua obra e autografa dois novos livros