A atriz Julia Lemmertz interpreta Heloísa, a matriarca dos Schurmann, e relatou que realizar este filme lhe proporcionou descobertas lindas e que estão em falta nos dias de hoje. "Eu me aprofundei num universo de pessoas que existem e fiquei muito próxima deles. Descobri sentimentos e pensamentos muito bacanas de gente aventureira, mas, ao mesmo tempo, muito família. De gente que tem muita conexão uns com os outros, e, por um gesto de amor e generosidade, eles adotaram a filha de um casal amigo que estava precisando de ajuda. Tudo isso mexe com a gente", afirmou Lemmertz, que esteve na pré-estreia em Porto Alegre nessa quarta-feira.
E não foi por acaso que ela aceitou o papel em "Pequeno Segredo". Foi no lançamento do livro em 2013, no Rio de Janeiro, que Julia conheceu Heloísa Schurmann e teve interesse tanto na história quanto na ideia de realização do filme. "Eu fiquei interessada em fazer porque é uma história muito linda e eu sou muito fã da família. Eu fui me aproximando um pouco mais, tive conversas com David e Heloísa. Foi uma conversa em que guardei as sensações e as coisas que a Heloísa me contava, porque eu não quis fazer uma imitação dela, porque não é um documentário, é um filme baseado numa história real, mas é um filme de ficção. E também foi dirigido pelo filho e tem toda uma aproximação. Foi bem bonita, foi um trabalho bom de fazer, bem especial", revelou.
Escolhido para ser representante do Brasil na corrida por uma vaga na indicação de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2017, "Pequeno Segredo" está longe de ser uma produção com contexto político e social, ao contrário do preferido "Aquarius", de Kleber Mendonça Filho. Porém, Julia Lemmertz acredita que o longa tem uma força representativa para concorrer a estatueta.
"De alguma forma, representa sim o Brasil. Está falando de uma família brasileira, que está contando a sua história. É muito louco que a gente esteja participando desta 'eleição' como se a gente tivesse alguma coisa a ver com isso. Como se o filme participasse de algum momento histórico brasileiro, como 'Aquarius', que se manifestou em Cannes contra o golpe, e que foi incrível naquele momento. Mas isto não credencia o filme para ser o melhor do mundo", apontou. E continuou: "Escolheram 'Pequeno Segredo' e se deve conviver com isso, porque senão vai ficar difícil a vida de todo mundo, e não é bom para ninguém. É uma polêmica desnecessária e injusta porque o filme não precisa disso. Ele não é um filme politico, ele é uma história real de uma família que merece ser respeitada".
Agora nas telas, "Pequeno Segredo" tem o propósito de brotar o amor e solidariedade no próximo. Longe de ser um filme partidário, o principal objetivo do longa é de homenagear a pequena Kat, que queria contar o seu pequeno segredo para sua família, mas que infelizmente não teve tempo de realizá-lo. O diretor David Schurmann tomou muitos cuidados em como relatar a história de sua irmã adotiva e torna a produção muito mais como um filme de família, transparecendo o amor incondicional que tiveram ao adotar a criança que corria risco de ter uma vida infernal e triste, do que de arte.
A narrativa dividida em duas histórias em paralelo deixou a dinâmica interessante e menos maçante do que o esperado, já que ao mesmo tempo que conhecemos a alegria da família Schurmann com a pequena Kat, também descobrimos os altos e baixos dos pais biológicos da menina. O longa tem vários momentos com tons dramáticos, típicos de horário nobre, mas cumpre o seu papel de ser uma trama bonita e que certamente irá emocionar o grande público.
Mesmo com uma carreira consolidada e de anos de experiência, Julia Lemmertz afirmou que poder contar esta história e interpretar Heloísa foi um dos maiores presentes que a vida poderia lhe dar. "Este filme serviu para ter mais uma camada de humanidade e de sensibilidade que eu vou levar pra sempre e fiz amigos que tenho certeza que também serão pra sempre", concluiu.
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