Arte & Agenda

Amor em escrita

Com a proximidade do Dia dos Namorados, dois livros trazem reflexões sobre o tema. Gabie Fernandes defende o amor real e não o de contos de fadas. E Hugo Porto ressalta a importância de amar a si mesmo antes de se entrar em uma relação

“23 Motivos Para Não se Apaixonar (Ou para amar ainda mais)”, da atriz e escritora Gabie Fernandes, traz 23 crônicas exaltando o amor real
“23 Motivos Para Não se Apaixonar (Ou para amar ainda mais)”, da atriz e escritora Gabie Fernandes, traz 23 crônicas exaltando o amor real Foto : Ilustração de Nestor Jr / Divulgação / CP

Quem não gosta de um filme apaixonante sobre romance, aquele em que a mocinha e o mocinho ficam perdidamente apaixonados e conseguem viver o seu “felizes para sempre” no final da história? Ou aqueles contos que nos fazem suspirar imaginando viver uma história de amor? O livro “23 Motivos Para Não se Apaixonar (Ou para amar ainda mais)”, da atriz e escritora Gabie Fernandes, traz 23 crônicas exaltando o melhor tipo de amor: o real.

No livro, a autora reuniu 23 textos que foram escritos desde a sua adolescência, unindo narrativas fictícias às histórias autobiográficas que batem de frente com a idealização do amor romântico e da paixão, desmistificando o sentimento. Para ela, as pessoas estão desacreditadas do amor e, com os 23 motivos apresentados, a autora ressalta um amor real e saudável. O objetivo do livro (editora Outro Planeta) é inspirar as pessoas a se entregarem ao amor e perceberem o sentimento nas pequenas coisas.

Gabie diz que, nos filmes, vemos sempre os protagonistas apaixonados e vivendo uma grande história de amor no final. Porém, o filme termina e nunca sabemos como é aquele amor no dia a dia. Ela ressalta que o amor mora em um lugar depois do final feliz. “No amor de verdade também há espaço para romantismo, carinho e afeto, mas se trata muito mais das escolhas que fazemos. O amor está em escolher todos os dias compartilhar a vida – que não é um conto de fadas – com alguém”, explica Gabie.

Assim como Gabie, o escritor Hugo Porto também aborda o amor em seu novo livro “Amor, e eu com isso?”, que tem seu pré-lançamento marcado para a próxima quinta-feira, dia 10, na Amazon. Hugo apresenta um amor livre e diverso ao longo de seus poemas, questionando a vida e a ele mesmo, tentando se entender a cada palavra escrita. “Eu tenho muita facilidade em me expressar no âmbito do amor. Eu aprendi que através do amor eu posso tocar muitas pessoas, de maneira muito mais aberta”, conta Hugo.

Hugo Porto também aborda o amor em seu novo livro “Amor, e eu com isso?”, que tem seu pré-lançamento marcado para a próxima quinta-feira, dia 10, na Amazon | Foto: Leonardo Drehmer / Divulgação / CP

No total de 30 dias entre escrita e revisão, Hugo proporcionou uma leitura doce, que almeja um mundo mais diverso e humano, trazendo suas experiências de vida e sua consciência, interagindo com o mundo e refletindo de forma poética. Alguns de seus poemas haviam sido postados nas suas redes sociais durante a pandemia, como forma de ajudar a aliviar a dureza dos dias que estamos vivendo.

Autor de “Bóris, meu amigo gay”, Hugo traz do berço a paixão pela escrita. O autor baiano é neto do poeta João Justiniano da Fonseca, membro da Academia Rio-Grandense de Letras, e revela em seu lançamento que a grande primeira lição do amor, e da vida, deve ser a de nos amarmos. “O autoamor é fundamental. Como você vai viver qualquer tipo de amor se antes você não viveu o seu próprio amor? Quando a gente se ama, a gente se enxerga como sujeito e assim consegue enxergar o outro. A primeira grande lição do amor é o autoamor”, diz.

“Amor, e eu com isso?” é inacabado, entregando ao leitor a missão de preencher os espaços vazios. A todo momento Hugo provoca o leitor à reflexão. No vídeo de lançamento de sua campanha, ele rasga o livro como metáfora para que o leitor ressignifique a leitura. “Valoriza-se muito o papel. O objeto livro. Mas o que importa é a sua leitura. A sua construção enquanto leitor”, comenta. “Viver é ler. É se ler, se interpretar e se reescrever. Todos somos autores do que nos permitimos viver”, conclui.

*Sob supervisão de Adriana Androvandi

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