A artista visual mineira Ana Júlia Vilela, 25 anos, apresenta seus mais recentes trabalhos em “O Romance Morreu”, que abre amanhã na Galeria Ecarta (João Pessoa, 943), onde segue até 14 de novembro, com visitação de terças a domingos, das 10h às 18h. A exposição reúne um conjunto de 30 pinturas inéditas, em que a artista reelabora a "morte do romance" em uma iconografia muito própria, transitando entre a abstração e a figuração com formas fluidas e contrastes cromáticos.
“A exposição se iniciou com um dos meus diários e tem algo de muito particular”, diz Ana Júlia, que cursou Artes Visuais em Pelotas e reside em São Paulo. E reflete: “Entre as afirmações de que a pintura já morreu, do amor romântico estar morto, me interessa investigar nossas emoções em relação a isso, o que para mim se tornou bem evidente no contexto pandêmico é que todos compartilhamos ansiedades, anseios e atravessamos lutos e pequenas mortes. Essas relações se entrelaçam nas pinturas”.
Ana Júlia faz parte de uma geração cuja cultura de massas, a linguagem da internet e o acesso irrestrito a um vasto campo de imagens e notícias são elementos de criação importantes como as referências adquiridas pela educação formal, experimentando contrastes cromáticos e novos formatos e superfícies. “As pinturas de Ana Júlia Vilela são crônicas, tanto no sentido médico, relativas a uma duração: são constantes, permanentes; quanto no literário: recortes de um cotidiano, com doses de ficção e realidade, facilmente relacionáveis às experiências do espectador/leitor”, afirma o curador, Chico Soll.
Ana Júlia expõe regularmente em salões e coletivas em diversas cidades do país, como nas mostras "O som dos olhos", Museu Municipal Casa da Memória (Cajamar, 2012; foi premiada no 43º Salão de Arte de Ribeirão Preto (2018); recebeu Menção Honrosa na Bienal das Artes Sesc-DF (Brasília, 2018); "A morte de uma festa", MARP (Ribeirão Preto, 2019) e "Todas as festas de amanhã" (São Paulo, 2021).