Arte & Agenda

Ana Lúcia Torre protagoniza drama familiar de Eugene O´Neill

“Longa Jornada Noite Adentro” faz curta temporada desta sexta até domingo, 9 a 11 de setembro, no Theatro São Pedro

No palco, a Família Tyrone: o caçula Edmund (Bruno Sigrist), o patriarca James (Luciano Chirolli), sua esposa, Mary (Ana Lúcia Torre) e o primogênito Jamie (Gustavo Wabner).
No palco, a Família Tyrone: o caçula Edmund (Bruno Sigrist), o patriarca James (Luciano Chirolli), sua esposa, Mary (Ana Lúcia Torre) e o primogênito Jamie (Gustavo Wabner). Foto : Priscila Prade / Divulgação / CP

Considerada a obra máxima de Eugene O´Neill, “Longa Jornada Noite Adentro” ganha versão idealizada, traduzida e dirigida por Sergio Módena, com Ana Lucia Torre no papel principal, que estreiou em junho, em São Paulo. Um dos mais relevates textos teatrais do século XX, vencedor do Prêmio Pulitzer, em 1957, traça um retrato cruel da vida real, da alma humana e transcende a época em que foi escrita, por tratar de experiências que, de uma maneira ou de outra, muitos se identificam, seja em relação à forma como as relações familiares são construídas ou pelos questionamentos existenciais dos personagens.  As apresentações ocorrem nesta sexta e sábado, às 21h e domingo, a partir das 18h, no Theatro São Pedro (Praça da Matriz, s/nº). Informações no site www.teatrosaopedro.rs.gov.br. 

Para muitos críticos, a narrativa marca o surgimento do teatro moderno nos EUA , que em 1962 ganhou versão para o cinema, com Katharine Hepburn, o que lhe rendeu uma indicação ao Oscar e o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes. Oem forma de depoimento autobiográfico, revela os dramas da família Tyrone, em que Ana Lucia Torre no papel de Mary,  se utiliza de diferentes artifícios para esconder dos filhos seu vício em morfina. “É a primeira vez que faço um texto de O´Neill. Embarcar nessa personagem múltipla é de muita profundidade e responsabilidade. Afinal, atrizes deslumbrantes já representaram Mary Tyrone”, afirma a atriz.  No Brasil, a personagem já foi interpretada por Cacilda Becker, Nathália Timberg e Cleyde Yáconis. 

Sinopse

O drama familiar se passa em 1912 e em um único dia e é ambientado na casa de veraneio dos Tyrone. O patriarca da família, James (Luciano Chirolli), é um homem idoso que há muito abandonou as aspirações de ser um grande ator, escolhendo viajar apresentando sempre a mesma peça, que lhe rende um bom dinheiro. Sua esposa, Mary, largou seus sonhos de menina (se tornar atriz ou freira) para acompanhar o marido nas constantes turnês. Ela se tornou viciada em morfina, com pouco ou nenhum contato com a realidade, desde o nascimento do filho mais novo. O casal tem dois filhos: o mais velho, Jamie (Gustavo Wabner), é um ator fracassado que foi "forçado" a seguir os passos do pai e se tornou um alcoólatra, visto que não era capaz de se manter em nenhum outro emprego. Ele tem inveja do talento do irmão mais novo, Edmund (Bruno Sigrist), um jovem que pretende se tornar escritor, mas pode ter sua carreira abreviada pela tuberculose. Edmund, influenciado pelo primogênito, também se envereda pela bebida, pois se sente culpado pelo vício da mãe e não suporta vê-la em tal estado. A criada da casa, Cathleen (Mariana Rosa), acompanha a ação e algumas vezes tenta dar apoio a Mary, sem sucesso.

Enfrentamentos constantes acontecem durante esse dia e o texto vai expondo, gradativamente, o passado turbulento da família.  A jornada de um longo dia termina numa noite infernal, na qual os três homens da família se embriagam enquanto Mary, tomada pelos efeitos da morfina, fala como se ainda fosse jovem, absolutamente desconectada da realidade. Do lado de fora da casa, a neblina se torna cada vez mais densa e intensa, sugerindo que as feridas da família Tyrone são incuráveis.  “Os personagens se acorrentam em um círculo vicioso. Se punem e são punidos, julgam e são julgados, perdoam e são perdoados, tudo com o intuito de expurgar os próprios ressentimentos e as marcas deixadas pelo outro”, explica o diretor e adaptador do texto, Sergio Módena. Segundo ele, o realismo de O’Neill é permeado de fortes signos, metáforas e simbologias. “É o que podemos chamar de realismo poético”, ressalta o diretor. Para Ana Lucia Torre, Mary Tyrone é um turbilhão e um enorme desafio. “Esse texto é o sonho de qualquer atriz. A melhor coisa na vida e nessa profissão é ter desafios e aprender a superá-los. Posso dizer que estou vivendo num inferno, com a Mary, e ao mesmo tempo nas nuvens”, finaliza.

 

 

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