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Anavitória e Nando Reis provam que não existe momento certo para falar de amor

Trio encantou o público porto-alegrense com canções românticas em show especial no Auditório Araújo Vianna, na noite de quarta-feira

A dupla convidou o cantor, compositor e multi instrumentista para a Turnê dos Namorados deste ano
A dupla convidou o cantor, compositor e multi instrumentista para a Turnê dos Namorados deste ano Foto : Laura Copelli / Especial / CP

As mais de 3.500 pessoas que estiveram presentes no Auditório Araújo Vianna na noite de quarta-feira, 21, sentiram o coração bater forte diante de Anavitória e Nando Reis. Mais de dois meses após o Dia dos Namorados, a ansiedade era tamanha pela espera do show, considerando que ele atrasou por conta da catástrofe climática. O êxtase era imenso quando soou no auditório a voz do trio que já passou por 12 cidades com a “Turnê dos Namorados – Palavras iguais dizendo coisas tão diferentes”. Menos intimista do que nas últimas turnês, mais animada e descontraída, a apresentação foi uma verdadeira celebração e exaltação ao amor, e não tão menos perceptível, ao zelo entre o trio. Com um cenário de visual impecável disposto no palco, a iluminação versou em tons de vermelho, laranja e roxo, como um convite para uma verdadeira viagem em sensações.

Nando roubou a cena com sua performance animada e entrega no palco com energia, respondida à altura pelos fãs. Ele, assim como o duo, também já veio a Porto Alegre para realizar shows no Dia dos Namorados. Às vezes, quase na mesma época. Desta vez, a junção fez todo o sentido. A afinidade e harmonia dos três timbres provocou arrepios no canto de hits que perpassavam desde o início da carreira da dupla. Clássicas do ex-titã também não ficaram de fora dos repertórios que falam de amor.

O público era majoritariamente de casais, mas não apenas. A estudante Evelyn Genro, de 18 anos, foi com a mãe Marilúcia pela segunda vez no show da dupla, que ela acompanha há pelo menos quatro anos. Foi para ouvir “Lisboa” e “Ai, Amor”, e usava até bandana do duo na cabeça. “No show de junho não iria poder ir. Fiz 18 esse mês e, para mim, está sendo como um presente”, disse.

Ana e Vitória, com longos vestidos vermelhos, e Nando vestindo jeans azul, entraram com “Luz dos Olhos”, canção do ex-titã embalada pelos violões de Ana e Nando. A distância entre os três não era medida pela disposição dos microfones no palco, já que passeavam pelo espaço para cantar. A banda de apoio equilibrou as três vozes distintas, mas complementares, com maestria: o conjunto foi formado por Walter Villaça (guitarra), Felipe Cambraia (baixo), Felipe Roseno (percussão) e Pupillo (bateria).

Ao cumprimentar os presentes, Nando mencionou sobre como era especial retornar ao Estado e finalmente poder rever seu filho Ismael, que mora em São Leopoldo. "Confesso que foi com muita emoção, não preciso nem dizer o porquê, mas o reencontro hoje para mim foi emblematizado pelo encontro com meu filho que eu não via desde janeiro", declarou.

Em “Trevo (Tu)”, canção que deu à dupla o Grammy Latino de Melhor Canção em Língua Portuguesa em 2017, os braços embalaram para lá e para cá durante o verso “eu só quero o leve da vida pra te levar”. Foi a deixa para que Vitória e Nando dançassem juntos neste encontro que é tão particular. A animação foi marcada no gingado do multi-instrumentista, cantor e compositor, e intensa ao longo de toda a noite: dançou, bateu palmas e brincou com o público – estava, afinal, confiante em seu habitat natural. Era como se ele tivesse feito parte de todas as Turnês dos Namorados, que já completam seis anos.

| Foto: Laura Copelli / Especial / CP

Canções de folk-pop romântico que a dupla abraça desde o início da carreira marcaram o repertório, como “Singular”, “Agora Eu Quero Ir” e “Fica”. As do “Cor”, quarto e último álbum que rendeu o Grammy Latino de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro em 2021, “Lisboa” e “Explodir”, foram cantadas a plenos pulmões. Composições de Nando não faltaram, como “Resposta”, “Dois Rios” e “Do Seu Lado”, sucessos do Skank escrita pelo cantor, e “Diariamente”, de Marisa Monte, deram o tom no palco do auditório. Ainda, “Relicário”, “Pra Você Guardei o Amor”, canção de Nando e Ana Cañas, e “Partilhar”, canção do duo com Rubel, também embalaram a noite.

As letras de Anavitória estavam na ponta da língua de Nando. O mesmo para a dupla, que gravou “N”, terceiro álbum de estúdio lançado em 2019 que regrava sucessos do cantor brasileiro. "Pra Você Guardei O Amor", "Dois Rios", "Espatódea", "All Star" e "Por Onde Andei" marcaram presença no repertório do show.

Nando dedicou um tempo para contar sobre as escolhas do trio para as apresentações da turnê. “Pensamos em fazer algo que não fosse simplesmente apresentarmos nossas coisas, mas tentar uma fusão. Não apenas das vozes, mas também do repertório que tem tanta relação”. O cantor ressaltou como o trabalho foi rico e revelador, e de como precisou se inserir dentro dessa trama das vozes do duo e invadir as composições. “Comecei não apenas a encontrar meu lugar, como a viver o tamanho e o porquê delas ocuparem o lugar que elas ocupam também, que é tão importante.”

Ele ainda exaltou a presença da voz feminina em um âmbito que ainda é predominantemente masculino. “O fato da beleza das vozes de Ana e Vitória não se dá apenas pela qualidade, pelo encantamento proporcionado pela voz incrível das duas. A origem disso, a semente disso ou a estrutura disso está na força na qualidade das composições. Eu, como compositor, ouvinte e apreciador de música, me sinto me sinto honrado e feliz de estar aqui cantando essas canções. A cada show, a cada momento, a cada ensaio, a cada passagem de som, toda vez que vou cantar, é como se eu fosse ainda mais longe e chegasse ainda mais perto do coração delas”, concluiu.

O trio apresentou uma versão individual do trabalho de cada um. Da dupla, Nando escolheu “Fica” em uma diferente versão. Ao final da música, o músico acrescentou “fica e queira ficar comigo”. Em “All Star”, também adaptou o verso quando cantou "Estranho é eu gostar tanto desses dois vestidos vermelhos", referindo-se ao duo. Algumas vezes, Nando deixava o palco para a voz de Ana e Vitória sobressair. Os três, quando cantavam, eram olhos nos olhos.

| Foto: Laura Copelli / Especial / CP

“O fato de estarmos em agosto e estarmos falando de Dia dos Namorados deixa tudo melhor. É basicamente aquela ideia de que não se deve achar que existe um dia certo para fazer amor, dizer amor”, disse Nando, que não tem medo de dizer que ama. “Aproveito todos os dias e todas as oportunidades que tenho de dizer para as pessoas que amo o quanto as amo. E nessa turnê publicamente tenho feito questão de dizer o quanto eu sou fã dessas duas.”

O cantor não economizou palavras para exaltar a dupla e, principalmente, o canto delas. “A voz feminina tem um lugar tão determinante na minha existência, na minha bússola emocional, que eu sou atraído magneticamente. É o que me move”. Finalizou sua fala ressaltando sua fascinação pelas vozes das mulheres e dedicando “All Star” a Cássia Eller, com quem compôs junto.

| Foto: Laura Copelli / Especial / CP

Em “Do Seu Lado”, o público se deslocou para a frente do palco e pulava. Em dado momento, uma fã até subiu no palco, mas logo voltou para curtir o show na beirada. No instrumental final de “Agora eu Quero Ir”, uma das músicas preferidas de Nando, o cantor recitou o poema "Diz Pra Mim", o que fez pela primeira vez na turnê com a dupla em 2018. O texto é parte de sua autobiografia nomeada “Para você o que você gosta”, que tem mais de cem páginas e nunca foi publicada.

O que Nando disse no prenúncio de encerramento do show é categórico: uma dupla não é apenas 1 + 1. Tem a complementaridade e a mistura. “Ao mesmo tempo que vira um é três, e eu não sou o terceiro: elas são individualmente uma e uma, mas juntas é uma terceira coisa”, ele sintetizou. Mas, ao final do show, a sensação foi de que a fusão harmoniosa da voz de Nando com a da dupla se completou como uma costura. Ana e Vitória cantavam de frente uma para a outra. Nando, entre elas, era como um elo. Em meio a músicas que abarcam o amor, as dores de amores e, principalmente, o sentimento, foi, enfim, um show para ser sentido.

| Foto: Laura Copelli / Especial / CP

*Supervisão de Luiz Gonzaga Lopes

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