André Damasceno foi o pioneiro ao levar o humor gaúcho para todo o país. Destacou-se nacionalmente como um dos grandes nomes da comédia brasileira, com o personagem Magro do Bonfa e algumas imitações marcantes na Escolinha do Professor Raimundo com Chico Anísio e na Zorra Total, além da Escolinha do Barulho, da Record.
Em 2024, ele comemora 40 anos de carreira com apresentação única em Porto Alegre, neste sábado, 24, às 20h, no Teatro de Câmara Túlio Piva (República, 575). O espetáculo terá participação especial da humorista Dedé Leitão. Ingressos na plataforma Sympla. No palco, Damasceno apresenta seus melhores textos e os personagens mais queridos do público, com imitações de nomes como Tatata Pimentel e Gil Gomes e histórias do convívio com comediantes como Agildo Ribeiro, Lúcio Mauro, Brandão Filho, Walter D´Ávila e Costinha e os mais jovens como Fábio Porchat, Leandro Hassum, Fabiana Karla e Heloísa Périssé.
“Quando vim estudar Engenharia Civil, fiquei na casa do meu tio Anibal Damasceno Ferreira, professor da PUC, que gostava muito de humor e me mostrou nomes como Nelson Rodrigues e Millôr Fernandes, que depois vim a conhecer quando morei no Rio, e também pelos grandes do mundo como Woody Allen e Mel Brooks. Meu tio Anibal me influenciou muito”, lembra, acrescentando que para incrementar as aulas de Matemática no cursinho Unificado, ele acaba contando histórias bem-humoradas. “O Magro do Bonfa foi um aluno meu no pré-vestibular. Era um maluco beleza com lógica. Aí tem um texto com ele é que a lógica dele é que ele raciocinava rápido mas estava errado, que demorava menos tempo para entregar a prova e tirar um zero”, recorda.
Engenheiro Civil e professor de Matemática, André fez o primeiro show em outubro de 1984, no Bar Opinião. Ele já realizou mais de cinco mil espetáculos e foi assistido por mais de três milhões de pessoas no país.
Sobre a fama no centro do país de fazer um humor muito inteligente, André lembra: “Eu usava muita lógica e o Chico Anysio gostou, pois era diferente do humor clássico. A maioria dos humoristas da Escolinha era ainda o pessoal que tinha vindo do rádio Tupi, Excelsior e Mayrink Veiga, em programas como Pandegolândia, AeioUrca e Balança Mas Não Cai e eu cheguei lá com uma coisa de maluco usando a lógica, cai no gosto do Chico”, comenta André.
Segundo André, o humor é um desequilíbrio do raciocínio lógico e o Chico não fazia humor datado, pois não se centrava no contexto político e econômico da época, como o Jô Soares, que tinha texto mais sofisticado, mas atingia o contexto da época.
“Um dos meus diferenciais no humor foi esta convivência com duas gerações diferentes do humor”, ressalta André, que de oito anos para cá é bastante atuante nas redes sociais.
Para chamar o público para o show, André usa os seus conhecimentos lógico-matemáticos. “Trinta minutos de riso intensivo é o suficiente para neutralizar quatro semanas de estresse. Como o show tem duração de 70 minutos, o público ficará desestressado até 2027 (risos)", conta.
Confira a entrevista: