Neste sábado, 24, às 10h30, ocorre o lançamento do catálogo da exposição “André Severo — A onda de Gustave Courbet”. Com 288 páginas, o catálogo da exposição é um livro amplamente ilustrado com imagens da exposição e das mais de 80 pinturas de grandes dimensões apresentadas. Ocupando todo o 1º andar expositivo do Margs, a exposição segue em exibição até o dia 15 de novembro.
A organização da publicação se orienta pela forma como a mostra se estruturou, destacando os trabalhos que estiveram em exibição e a dimensão instalativa que assumiram na concepção da expografia e sua espacialização nas galerias do Margs.
O catálogo se complementa e expande a mostra ao trazer um caderno de imagens com todas as obras, além de textos ampliados e de convidados. Um extenso ensaio do artista André Severo e um texto ampliado do curador da mostra, Francisco Dalcol, são acompanhados de textos da curadora-assistente do Margs, Cristina Barros, do crítico e curador Paulo Herkenhoff e dos artistas e pesquisadores Laura Cattani e Munir Klamt (do duo Ío).
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A exposição
Ocupando todo o 1º andar com mais de 80 pinturas de grandes dimensões, a exposição “André Severo — A onda de Gustave Courbet” explora uma experiência sobre a pintura, sua história e atualidade, ao apresentar o projeto em que o artista André Severo explora as relações do pintor francês Gustave Courbet com o pré-impressionismo do século 19, o expressionismo abstrato norte-americano dos anos 1940 e a pintura contemporânea.
Intitulado “A onda/La vague”, o projeto consiste em uma investigação que envolve prática artística e pesquisa histórica. O trabalho de Severo envolve localizar as pinturas sobre ondas do mar feitas pelo pintor francês Gustave Courbet (França, 1819–1877) no século 19 e realizar a reprodução pictórica de cada uma em escala ampliada.
As paisagens de ondas são uma série específica do pintor francês, realizada entre os anos 1860 e 1870 com o título La vague (a onda). Dedicadas ao mesmo tema — o mar agitado, a intensidade das ondas e o horizonte de um céu tempestuoso —, expressam a força bruta da natureza através de uma expressividade visual própria à construção material da pintura e à liberdade de criação do artista.
Severo iniciou o projeto ao ver nessas pinturas um ponto de inflexão da história da pintura, por serem distintas do realismo que notabilizou Courbet no século 19, antecipando um gestual matérico da arte moderna do século 20.
Desde 2021, Severo localizou mais de 80 pinturas em acervos de museus, coleções e casas de leilões pelo mundo e lançou-se a desvendar a elaboração de cada uma, explorando a sua recriação pictórica a partir de imagens de referência. O projeto ainda envolve um extenso ensaio reflexivo e teórico que o artista desenvolveu com a pesquisa prática e histórica. Nele, propõe repensar o lugar de Courbet na história da arte, problematizando a genealogia que identifica em artistas como William Turner, Édouard Manet e Paul Cézanne os principais marcos inaugurais da pintura moderna.
Ao ser apresentado pela primeira vez em um museu de arte na forma de uma exposição conceitualmente desafiadora e imaginativa, o projeto A onda/La vague ganha um contexto de leitura e de espessura histórica que lhe confere novas camadas e sentidos a partir do contato com o público. Além de proporcionar uma experiência sobre a história da pintura atravessada pelo fazer artístico e o seu pensamento, renovando o nível de leitura e compreensão de um artista do passado e sua repercussão no presente, instiga questões da história artística que seguem incidindo sobre a produção contemporânea, como as noções de original, modelo, réplica, reprodução, simulacro, influência, apropriação, citação e releitura.