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Angelina Jolie quer desfazer mal-entendido que a impediu de rodar seu filme

Decisão de anular a autorização das filmagens casou polêmica em Sarajevo

Decisão de anular a autorização das filmagens casou polêmica em Sarajevo
Decisão de anular a autorização das filmagens casou polêmica em Sarajevo Foto : Index Szabolcs Barakonyi / AFP
A atriz Angelina Jolie afirmou nesta sexta-feira que deseja reunir-se com as vítimas da guerra para esclarecer os mal-entendido depois que as autoridades da Bósnia revogaram sua autorização para rodar no país algumas das cenas de seu primeiro filme como diretora. Embaixadora da boa vontade do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), a atriz manifestou a vontade de encontrar as mulheres vítimas da guerra entre as comunidades muçulmana e sérvia de 1992-1995, segundo uma mensagem difundida pelo Acnur em Sarajevo. "Tenho um grande respeito pela obra da associação Mulheres Vítimas da Guerra (...) e gostaria de ter a oportunidade de falar com elas pessoalmente para esclarecer qualquer mal-entendido sobre este projeto", afirmou Jolie, em comunicado.

"A decisão de realizar um filme sobre esta região e de colocá-la na história tem a finalidade de recordar às pessoas o que aconteceu na Bósnia há pouco tempo e chamar a atenção para os sobreviventes da guerra", destacou a atriz.
"Minha esperança é que as pessoas não façam nenhum julgamento até que tenham visto o filme", acrescentou.

A decisão de anular a autorização das filmagens casou polêmica em Sarajevo, onde muitos esperavam pela chegada da estrela de Hollywood. A diretora bósnia Jasmila Zbanic, cujo filme "Grbavica" ganhou o Urso de Ouro na Berlinale de 2006, denunciou o ato "primitivo e totalitário" das autoridades. O ministro da Cultura da Federação Croato-Muçulmana, Gabrilo Grahovac, anunciou na quarta-feira que anularia a permissão para filmar em território bósnio o longa-metragem de Angelina Jolie. O ministro voltou atrás em uma decisão tomada em setembro pelo mesmo Ministério, depois de uma reunião com membros de uma associação local de mulheres muçulmanas estupradas durante a guerra da Bósnia, num episódio de limpeza étnica.

A imprensa bósnia argumentou recentemente que o filme tratava de uma história de amor entre uma mulher muçulmana violentada e seu carrasco, um sérvio, durante a guerra entre as duas comunidades que devastou a Bósnia na década de 90. Para que Angelina Jolie possa obter novamente a autorização para filmar na Bósnia, será necessário que o filme conte "uma história diferente da que é conhecida hoje, depois do que nos disseram as pessoas que leram o roteiro", decidiu o Ministério.

O script, como foi descrito pela imprensa bósnia, indignou associações de vítimas da guerra. "A história é baseada em uma mentira. Entre os milhares de testemunhos de mulheres estupradas durante a guerra, não existe um que conte uma história de amor entre a vítima e seu carrasco", disse à AFP a presidente da a associação "Mulheres vítimas da guerra" de Sarajevo, Bakira Hasecic.

Mas o coprodutor bósnio do filme, Edin Sarkic, responsável pela empresa Scout Film, negou veementemente essa versão e declarou à AFP que somente na quarta-feira havia entregado o roteiro para o Ministério da Federação Croato-Muçulmana. "Todos julgam as coisas sem mesmo saber do que se tratam, já que ninguém leu o roteiro", enfatizou Sakic à AFP. "Agora, espero uma resposta positiva o mais breve possível. Espero que a partir de hoje, já que não posso avançar com meu trabalho", acrescentou.

Segundo a revista americana Variety, o filme trata simplesmente de uma história de amor entre um sérvio e uma bósnia no início da guerra e da influência do conflito em seu relacionamento. A autorização para filmar foi concedida em setembro com base em uma sinopse do filme, informou Sarkic. As filmagens, anunciadas em agosto pela atriz, quando ela viajou para a Bósnia pela segunda vez em quatro meses, já começaram na Hungria e deveriam continuar em novembro na Bósnia.


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