Um bom passatempo e um mergulho em algumas pérolas da cultura árabe, tais como a tal metáfora de "morrer de sede em frente ao mar", que se constrói em imagem num momento intenso do filme; "Deus odeia o que fazemos entre nós em nome Dele", mostrando a maturidade do jovem novo líder; e "há homens e mulheres que se completam como a água e a sede no deserto", da escrava, liberta e pronta para ir em busca de uma nova felicidade, pessoal e social.
Entre falas mais profundas e exposições culturais diversas, o filme coloca na tela uma interessante contraposição a uma visão tradicionalista do Corão, e do mundo, aos desafios da modernidade, que a riqueza do petróleo traz, inevitavelmente. No centro da trama, uma polarização entre a impossibilidade de deter a marcha do tempo, e o desejo de preservar princípios e valores. Aliás, o tom romântico está dado por uma história de amor nos moldes de Romeu e Julieta, mas sem tanta tragédia.
Ainda no roteiro, o amor filial, o conflito entre pais e filhos, perdas e mais. Em cenário coadjuvante, surgem batalhas cheias de figurantes, levantando o pó do deserto, montados em camelos, desembainhando suas espadas e tendo ao lado, ou ao fundo, belas construções típicas. Uma ordem narrativa diversa do que poderia vir a ser um épico hollywoodiano de bom orçamento. É o olhar europeu de Annaud, que remonta às mil e uma noites.
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