A pintura de Antonio Dias é considerada um elo entre o modernismo, o neoconcretismo e os artistas da década de 70. O boneco “peludo” com o tamanho real de um homem, “Seu Marido”, construído com latas de refrigerantes e recoberto por lycra amarela, imitando pelos, e a tela “História Resumida Para Crianças”, receberão o público já no átrio. Em seus múltiplos meios de expressão, que contemplam telas, instalações, performances, gravuras, fotografias, um LP, vídeo, objetos, a pintura dos últimos 13 anos é o ponto evidenciado no recorte do crítico e historiador de arte Paulo Sergio Duarte, curador da exposição e grande especialista na obra do artista.
O processo para alcançar nuances tão ricas e únicas, com o dissolver de cores segmentadas em porções de pinturas, já foi descrito por Antonio em entrevistas: “Às vezes é pigmento, na maior parte são minerais, mas é mais um material derramado, um banho de pós e aglutinantes que eu deixo escorrer na superfície. A única cor que é realmente tinta de pintura é o vermelho, que eu uso quase sempre chapado, sem marcas de pincel”, revela.
Em “Duas Torres” “2002”, criada com latas de alimentos fundidas em bronze, Dias faz referência à tragédia de 11 de setembro de 2001, em um trabalho político explícito.