As carreiras musicais de Antonio Villeroy e Pedrinho Figueiredo acabaram se misturando lá pelo início dos anos 80. De lá para cá, foram muitos encontros. Antonio despontou no Rio Grande do Sul quando tirou o 1º Lugar no Festival Musipuc, com a canção "Êta Moleque!" e passou a se apresentar em faculdades e bares de Porto Alegre. Depois, foi para o Rio de Janeiro e virou esta referência como o compositor gaúcho mais gravado na história da música do Estado. São mais de 100 intérpretes que cantaram suas canções, em novelas, filmes e nos seus próprios discos e shows no Brasil, EUA, Itália e outros países. Nomes como Maria Bethãnia, Ana Carolina, Gal Costa, Ivan Lins, Seu Jorge, Chiara Civello, John Legend e Don Grusin.
Pois as histórias desta carreira de sucesso e as músicas de Villeroy são os objetos da segunda noite da segunda temporada do Toque Show, quando Pedrinho Figueiredo recebe Antonio Villeroy, nesta quinta, às 20h, no Vila Flores (rua São Carlos, 753, bairro Floresta), complexo arquitetônico inspirador onde está sediada a Bumbá Produtora de Conteúdo, coprodutora do evento. No Galpão do Vila Flores, a plateia estará disposta numa configuração de teatro de arena, ficando próximo dos artistas, para desfrutar de um clima intimista de uma boa roda de música e conversa.
“O Toque Show foi uma vontade de conhecer mais das carreiras e canções dos músicos que eu admiro. Eu olhava o Jô Soares, o David Letterman e recentemente o Nelson Farias, guitarrista, fez uma coisa neste estilo de talk show, este programa de entrevistas. Queria conhecer os nossos caras. Tem a Bumbá que produz e edita vídeos que estarão à disposição futuramente”, destaca Pedrinho Figueiredo.
A noite será de muitas histórias e músicas. Entre as canções estará presente uma das primeiras a catapultar Villeroy como um dos grandes compositores do país, “Pra Rua Me Levar”, que ganhou o mundo na interpretação de Maria Bethânia e de Ana Carolina (coautora), e também “Bebê”, de Hermeto Paschoal, que serão executadas pelo músico ao violão com os sopros de Pedrinho.
Das histórias que serão contadas, uma é adiantada pelo músico gaúcho que tem uma série de projetos em conclusão entre este ano e o próximo, como um DVD musical e documental dos mais de 35 anos de carreira (atualmente são 37) e o songbook e álbum triplo com 42 músicas. Uma das histórias é sobre a primeira música gravada por Maria Bethânia. “Foi ‘Pra Rua me Levar’. Eu sabia que a Bethânia estava saindo de um relacionamento e que não ia se desesperar e a música começa: ‘Não vou viver como alguém que espera um novo amor/ Há outras coisas no caminho aonde vou’. Eu não conhecia a Bethânia e no dia que eu fui apresentado, ela me disse: ‘você me leu muito, falou exatamente o que foi o meu momento’. E aí tudo começou”, comenta.
O músico lembra de uma outra história que ele deve contar no Toque Show, de uma vez que Bethãnia iria completar 40 anos de carreira e estava à procura de músicas. Foi lá em 2005: “Aí um dia, eu estava jogando bola no campo do Chico Buarque e toca o telefone. Era a Maria Bethânia. Ela disse que tinha adorado meu disco gravado ao vivo com a Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro e tinha achado muito chique, muito fino, muito bem feito, com bom gosto e queria pedir permissão de cantar uma música, “São Sebastião”. Ela estava lançando um disco baseado na obra do Vinicius de Moraes e que seria de 40 anos de carreira. Era sobre o Vinicius e nisto passa o Chico na minha frente e eu o cumprimento, aí seu Francisco como é que tá? A Bethânia achou estranho eu interromper a conversa para cumprimentar alguém e perguntou com quem eu estava falando. Respondi: ‘é um compositor que você gosta muito e que tem os olhos cor de ardósia. Aí ela viu que era o Chico. Como ela queria algo sobre o Vinicius, comecei a fazer uma canção na hora: “Um dia pra vadiar/ botar a barba de molho/ vendo você passear/ bem pertinho do meu olho. Ela perguntou o que era isso. Disse que tinha feito agora. E ela: ‘mas como?’. Respondi que estava falando com a Bethânia, pensando no Vinicius e jogando bola com o Chico, assim era mole. ‘Um Dia pra Vadiar’ nasceu assim’, revela Antonio.
Na noite do Toque Show também haverá a possibilidade de participação do público com perguntas por escrito. Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (estudantes, idosos e classe artística), e podem ser comprados de forma antecipada pelo site. Informações pelo e-mail toqueshowpf@gmail.com.
Antonio Villeroy é o convidado do Toque Show nesta quinta
Pedrinho Figueiredo conversa e toca com o artista nesta temporada no Vila Flores