O cantor, compositor e instrumentista gaúcho Antonio Villeroy traz a turnê “Cenas Extraordinárias” para Porto Alegre nesta quinta, às 20h, no Teatro Simões Lopes Neto (rua Riachuelo, 1089). Além disso, ele lança hoje, nas plataformas, um EP com quatro músicas, gravações inéditas dos anos 1980 e vai ministrar oficina de composição nos dias 24 e 25 de março, no Galpão Floresta Cultural (rua Conselheiro Travassos, 541). Ingressos antecipados no site theatrosaopedro.rs.gov.br.
Comemorando 45 anos de carreira, Villeroy percorreu boa parte do mundo, muitas vezes antecedido por suas canções, gravadas em seus álbuns e por mais de 130 artistas de diversas latitudes, cantando em português, inglês, francês, espanhol e italiano. Suas turnês pela Europa o levaram a mudar-se para Portugal, onde vive desde 2022. Em 2025, Antonio estreou, em Lisboa, o novo show, “Cenas Extraordinárias”, antecipando canções do novo álbum, homônimo, em fase de gravação.
A linha condutora da primeira parte do show são canções autobiográficas inéditas, sobre a vida pessoal, da infância aos dias atuais. As canções são a versão musical do livro autobiográfico, “Cadernos de Viagem” (nome provisório), que ele escreve desde 2023, para lançar no fim do ano. Entre as inéditas, destaques a “Panelinha de Pressão”, “Eu Vi o Beethoven no Wolmer”, “Língua Viva”, “Motor da Paixão”, “Deixa eu Te Dar Um Toque”, (parceria com Marcelo Delacroix), “Motor da Paixão” (duo com Valéria Barcelos) e “Agilidade e Malícia”.
Na segunda parte, o artista interpreta hits como “Pra Rua Me Levar”, “Recomeço”, “Amores Possíveis” e “Sinais de Fogo”, e outras. Haverá participações de Bernardo Zubarán, Luciano Maia, Marcelo Delacroix, Marquinhos Fê, Valéria Barcelos e Chico Marshall (prólogo ao piano). Sobre o show e como define o som que faz, Antonio conceitua: “A música que faço é a Música de São Gabriel, minha terra natal. Na minha infância, ouvia-se de tudo um pouco na minha casa, música erudita, samba, bossa nova, serestas, Beatles, tangos, fados, jazz e música regionalista. Paixão Cortes gravou uma música de meu pai, “João Carreteiro”, em seu 2º álbum. Aquele disco de Paixão e a 5º Sinfonia de Beethoven estavam entre os mais ouvidos. Como, até certa idade eu só conhecia minha cidade, eu pensava que tudo era de São Gabriel. Tudo se relacionava com aquele azul intenso do céu da campanha, aquela paisagem onde o verde circundava o pequeno espaço urbano. Numa tarde de inverno, pensei ter visto Beethoven na livraria do Wolmer e fiz um samba a respeito disso, que está no show”.
Sobre a cobrança por algo gaúcho no seu som, responde: “Alguns colegas me cobraram que eu insira elementos do gauchismo no meu som. Não me sinto implicado ou obrigado a fazer parte de nenhum movimento. Minha música sempre foi contaminada por muitas influências. Depois de um show que fiz com Kleiton e Kledir, no Rio, em 2025, Kledir me falou que era visível nas minhas composições um DNA rio-grandense. Eu diria que gabrielense. O Luiz Carlos Borges, meu querido amigo, e um dos maiores artistas que o RS já talhou, também falava com admiração sobre os caminhos estéticos do meu trabalho”.