Depois do álbum voltado para o passado, McCartney havia prometido que a produção seguinte olharia para o futuro. E "New", seu primeiro disco com canções originais em seis anos, não decepciona. Há vários anos, a internet transformou a forma como os jovens artistas fazem música, misturando sem distinção suas próprias criações, gêneros e estilos diferentes.
Com "New", que será apresentado oficialmente em Londres, Paul McCartney faz o mesmo, mas com estilos que ele mesmo ajudou a criar. Entre as 12 canções "New" há acenos aos Beatles, Wings e à carreira solo, mas em versões atualizadas e trabalhadas por quatro produtores. "A ideia inicial era colaborar com produtores de quem aprecio o trabalho, para ver com qual me sairia melhor. Mas acabou que me dei bem com todos", revelou Macca à imprensa. "Fizemos algo realmente diferente com cada produtor. Não tinha alternativa e terminei trabalhando com os quatro. Passamos bons momentos de maneiras diferentes", contou.
McCartney escolheu produtores de estilos radicalmente opostos. Mark Ronson, o mais conhecido dos quatro, tem uma uma forte influência do soul e ganhou fama ao produzir "Back to Black" de Amy Whinehouse. Paul Epworth, um dos favoritos da cena pop inglesa, é o homem por trás dos trabalhos de Bloc Party, Florence and The Machine e do álbum "21" de Adele. Mais voltado para o rock e o folk, Ethan Johns trabalhou com Kings of Leon, Joe Cocker e Ray Lamontagne.
O último deles, Giles Martin, que produziu metade do álbum, é nada menos que o filho do lendário produtor dos Beatles George Martin. Assim o disco acaba sendo ouvido como uma playlist aleatória: o ouvinte não sabe bem o que esperar no início de uma canção.
"Appreciate" (Giles Martin), um longo tema psicodélico, electro e experimental, é o destaque do álbum. A frágil e despojada "Hosanna" (Ethan Johns), a sutil "Queenie Eye" (Paul Epworth), assim como "Alligator" e "New" (ambas produzidas por Mark Ronson), com forte influência dos Beatles, também chamam a atenção. Mas algumas músicas soam menos convincentes, com estilos diferentes que às vezes soam superficiais.
Em alguns (poucos) momentos a voz de McCartney revela os 71 anos de Sir Paul. "É engraçado que quando coloco o álbum para tocar, as pessoas fiquem surpresas. Muitas canções são variadas e não necessariamente lembram o estilo que alguém identificaria comigo", disse. "Realmente gostei de fazer o álbum. É fantástico ter a sorte de estar no estúdio com novas canções e produtores tão 'cool'. Nos divertimos muito", completou. E ao ouvir o álbum, o fã do ex-Beatle vai concordar com o ídolo.
Paul McCartney surpreende com show gratuito na Times Square
Ontem, o ex-Beatle surpreendeu Nova York com um pequeno show gratuito na popular Times Square. O músico anunciou a apresentação pela manhã em sua conta no Twitter e tocou ao meio-dia no coração de Manhattan. "Venham para a Times Square, tudo vai acontecer lá!", disse sir Paul, pouco antes do show, feito de dentro de um caminhão, que tinha uma de suas partes laterais aberta. Ele tocou apenas quatro músicas – "New", "Save Us", "Everybody Out There" e "Queenie Eye".