O músico americano havia alcançado a fama pouco antes de se mudar dos Estados Unidos para a Inglaterra, onde se instalou em 1968 com a namorada Kathy Etchingham, no número 23 da rua Brook, no elegante bairro de Mayfair. O apartamento será aberto excepcionalmente por 12 dias em setembro. O imóvel pertence à Casa Museu de Georg Friedrich Händel, compositor barroco de origem alemã nacionalizado britânico que morou no edifício contíguo. Conta-se que Hendrix, ao saber disso, correu para a loja de discos mais próxima para comprar uma cópia do "Messias".
O local abrigará, a partir desta semana, uma exposição sobre Hendrix, na qual o visitante poderá ver suas guitarras e até um curioso autorretrato, além de roupas usadas pelo músico em shows, como uma colorida jaqueta de veludo estampada e um chapéu.
Kathy Etchingham contou que os 18 meses que Hendrix passou no apartamento foram a primeira vez em que o ídolo do rock sentiu ter sua própria casa. "Estávamos encantados por ter nosso pequeno espaço, onde Jimi podia descer da montanha-russa da fama e fortuna e se esconder", lembra. "Podíamos ser como qualquer outro jovem casal, assistir Coronation Street (uma das séries de TV mais populares do Reino Unido na época) e beber chá com leite ao invés de whisky com Coca-Cola."
Outras estrelas da música dos anos 60, como o Beatle John Lennon, vinham visitar o guitarrista - que também jurava receber visitas do fantasma de Händel -, relata o subdiretor do museu e curador da exposição Martin Wyatt. "Hendrix estava fazendo a barba numa manhã e desceu correndo as escadas para dizer a Kathy: 'Acabo de ver um velho com uma peruca passando'", disse Wyatt à AFP.
O estilo de sua vida londrina respalda a descrição de Jimi Hendrix como um homem tranquilo, apesar do personagem que encarnava nos palcos quando incendiava guitarras e tocava solos distorcidos com os dentes.
"Ele era muito calmo, muito agradável e amigo das diversões", lembra Roger Mayer, que trabalhou como engenheiro de som no arranjo de músicas como "Purple Haze". "Seu estilo de vida não era de maneira nenhuma selvagem, como as pessoas imaginam", afirmou. "Obviamente, quando se apresentava, Jimi não podia estar drogado ou fora de si, porque não é possível tocar bem neste estado."