Arte & Agenda

Apesar de falha na exibição, O Som ao Redor é bem recebido

Sessão do filme de Kléber Mendonça Filho foi interrompida por problema em som

Cineasta Kléber Mendonça Filho lamentou interrupção da sessão que exibia seu novo filme
Cineasta Kléber Mendonça Filho lamentou interrupção da sessão que exibia seu novo filme Foto : Tarsila Pereira
O filme “O Som ao Redor”, de Kléber Mendonça Filho (PE), que concorre na categoria de longas-metragens brasileiros, teve a sua exibição interrompida na sessão de quinta-feira à noite no Palácio dos Festivais, por problemas no áudio. A partir de determinado ponto, o som ficou ininteligível, a ponto de não se compreender o diálogo entre os personagens. A plateia e a equipe do filme reclamaram, até que finalmente se decidiu por cancelar a exibição.

Conforme explicou o responsável técnico pelas exibições, José Luis de Almeida, o problema ocorreu em um equipamento devido à queima do driver da caixa central, responsável pelas altas frequências do som do cinema. Os reparos necessários foram providenciados.

O longa-metragem ganhou a reprise habitual, às 10h da manhã de sexta-feira, e mais uma extra, às 14h. Sobre sentir-se prejudicado, visto que seu filme está em competição, Kléber Mendonça disse que percebeu que muitos jornalistas e público foram assistir à reprise, o que minimizou um pouco sua insatisfação. “Uma sessão de cinema é sempre uma coisa muito sagrada e interrompê-la é chato”, lamentou, criticando ainda outras questões técnicas da exibição, como a falta de foco.

Independentemente desta fatalidade, o filme foi bem recebido pela crítica. Apresenta o cotidiano de vários moradores de uma rua de classe média do Recife que passa a contar com o serviço de um grupo de seguranças privados, liderados pelo personagem vivido por Irandhir Santos (de "Tropa de Elite 2" e "A Febre do Rato"). Aborda, através de um mosaico de personagens, problemas como a especulação imobiliária, com a falta de critério para a demolição de certas construções, e as relações entre patrões e empregados.

Kléber diz que gosta de perceber o som de cada cidade e, desta forma, o áudio tem papel fundamental no desenvolvimento desta história. “Busquei fazer um filme na linha do realismo social, mas em alguns momentos ele se aproxima do terror”, disse o diretor, revelando que, entre as suas influências cinematográficas para o filme esteve o trabalho do cineasta John Carpenter.

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