Arte & Agenda

Araújo Vianna vibra pelo pai do samba

Após apresentação de “Baile à la Baiana” em Porto Alegre, Seu Jorge retorna ao palco por uma plateia insistente que clamava por “mais um”

Na noite desse sábado, Seu Jorge reuniu cerca de três mil pessoas no Auditório Araújo Vianna em show da turnê "Baile à la Baiana"
Na noite desse sábado, Seu Jorge reuniu cerca de três mil pessoas no Auditório Araújo Vianna em show da turnê "Baile à la Baiana" Foto : Ana Luiza Barbosa / Especial / CP

Na noite do último sábado, dia 24 de maio, Seu Jorge retornou aos palcos porto-alegrenses para apresentar a nova turnê. “Baile à la Baiana”, seu último lançamento, trouxe à capital o batuque e o suingue de um álbum que promete unir ritmos baianos e cariocas - e transformou o Auditório Araújo Vianna em um legítimo baile.

Frente ao público, que apreciava o espetáculo em pé, curtindo músicas de um disco que exala animação, Seu Jorge cantou as 11 faixas lançadas em 16 de fevereiro. Ao lado de Magary Lord e Peu Meurray, cantores e compositores baianos que contribuíram com a construção do “Baile”, o “pai do samba” proporcionou a Porto Alegre um show que impossibilitou uma observação estática e deixou as cadeiras do auditório sem propósito.

Um espetáculo que vai desde os figurinos da banda - que, assim como todo o resto, escancaram brasilidade - até os próprios músicos, “Baile à la baiana” cumpre com o propósito estabelecido por Seu Jorge: celebrar as raízes cariocas e baianas e a música preta. Da vida nas ruas à banda Farofa Carioca e, em 2025, às turnês “Europe Tour” e “Baile à la Baiana”, o cantor carregou consigo o samba e os ritmos africanos, levantando a bandeira da valorização da arte da comunidade negra.

Com um álbum produzido, composto e musicado por uma equipe majoritariamente negra, Seu Jorge levou ao Auditório Araújo Vianna cerca de três mil pessoas que, com ele, cantaram as músicas novas e os clássicos, como “Carolina”, “Amiga da Minha Mulher” e “Mina do Condomínio”. E, ao fim da apresentação, não estavam satisfeitas.

Graças a uma plateia que, em coro e com a lanterna do celular acesa, exclamava “mais um” e “eu não vou embora” e, mesmo com as luzes desligadas, permanecia no lugar, Seu jorge retornou ao palco minutos depois do encerramento do show e - já sem seu marcante terno branco - cantou a voz e violão “São Gonça”, acompanhado pelo emocionado público. E os que pediram “mais um” acabaram recebendo mais seis.

“É isso aí”, “Quem Não Quer Sou Eu”, “Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda”, de Hyldon, e “Felicidade” deram continuidade às músicas “extras”. Por fim, ao som de “Burguesinha”, Seu Jorge encerrou definitivamente seu espetáculo no Araújo Vianna, deixando os fãs com as memórias de um show marcante.

Shana Silva, de 43 anos, afirma: “Meu momento preferido foi quando ele retornou ao palco e a galera toda chamando atenção, foi lindo demais”. Já Carlos Black, que, aos 49 anos, diz acompanhar o artista “desde sempre”, partiu do auditório com suas expectativas supridas por ter desfrutado da arte de um artista mundialmente reconhecido. “O cara veio e sobreviveu. Foi um morador de rua e é um baita artista. Seu Jorge é um artista que é do mundo. E a gente teve uma baita oportunidade de presenciar isso.”

Ouça “Baile à la Baiana”:

*Sob supervisão de Luiz Gonzaga Lopes

Guia de Programação: a grade dos canais da TV aberta desta terça-feira, dia 11 de agosto de 2026

As informações são repassadas pelas emissoras de televisão e podem sofrer alteração sem aviso prévio