Arte & Agenda

Argentino Marsilio Cassotti lança biografia sobre a imperatriz Leopoldina

Livro é atração nesta segunda no auditório do Instituto Ling, em Porto Alegre

Não é sem sentido a frase "por trás de um grande homem sempre existe uma grande mulher". A sina do cientista político e historiador argentino radicado na Europa, Marsilio Cassotti, parece ser mostrar a trajetória de mulheres fortes, estrategistas, lutadoras desde a Idade Média nas coroas de Portugal e Espanha, como é o caso de D. Teresa de Portugal, Joana, a Rainha de Castela, Carlota Joaquina e mais recentemente a imperatriz Leopoldina. Cassotti lança nesta segunda-feira, 15, às 19h, no auditório do Instituto Ling (João Caetano, 440), em Porto Alegre o livro "A biografia íntima de Leopoldina – Amor e Poder nos tempos do Império" (editora Planeta). O evento tem o apoio cultural do Instituto Cervantes, de Porto Alegre, e da Câmara Rio-grandense do Livro e será mediado pelo jornalista Luiz Gonzaga Lopes, editor do Caderno de Sábado, do Correio do Povo.

Na obra, o autor argentino mostra como Leopoldina de Habsburgo representou a força feminina em uma época dominada por homens e como usou a fé, as cartas e algumas estratégias políticas para relevar as infidelidades de D. Pedro I e ter um papel decisivo na independência do Brasil. “D. Leopoldina era uma figura histórica de grande sutileza, algo que não é fácil de entender quando não é sutil. A maioria dos historiadores, até recentemente, em grande parte, do sexo masculino, por condescendência ou por ‘machismo’ enrustido, custou a reconhecer e aceitar que foi alcançada a independência do Brasil, em grande parte por obra e graça de uma mulher, que também pertencia a uma dinastia conservadora e, segundo eles, reacionária”, afirma Cassotti.

O escritor destacou a importância de Leopoldina para a independência do Brasil e indo mais além nesta defesa da personagem biografada: "Por outro lado, em certa educação primária, secundária e universitária com tons ideológicos, que vê tudo o que tenha coroa real ou imperial na cabeça como um atentado aos valores democráticos, tem sido um obstáculo para aceitar que, a meu critério, algumas dessas pessoas, apesar de ser de sangue azul, também poderiam ser patriotas em benefício do Brasil”.

Cassotti estudou Ciências Políticas com especialização em Relações Internacionais na Universidade Católica de Buenos Aires, e Língua no Instituto Católico de Paris. Lançou livros como “A Rainha Adúltera” e “Carlota Joaquina”. Durante anos foi diretor de uma bem-sucedida coleção de História em uma editora do Grupo Planeta, em Barcelona.

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