A crueza e o minimalismo do filme está em acompanhar a real rotina de um manicômio e alcança o extremo quando uma paciente que admira muito Camille passa a segui-la dentro do local e provoca reação áspera da artista. Ao afirmar que está perfeitamente sã nas cartas para Paul e também à amiga Henriette, ela dá traços do que poderia ser uma conspiração de Rodin para se apropriar das esculturas dela.
O inverno é rigoroso, os tons do filme são cinza e os surtos são constantes. As cozinheiras do local, por ordem do psiquiatra, deixam Camille fazer a sua própria comida, pois ela tem medo de ser envenenada. A mania de perseguição é entremeada por Dumont com momentos de total abulismo e uma vontade louca de que seu irmão Paul a liberte do local, o que não aconteceu, pois ela morreu ali em 1943, trinta anos após a internação. Filme intenso e duro. Um recorte interessante da vida de Camille Claudel no manicômio, a artista expiada pela loucura.
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