"Carlito Carvalhosa vem do Brasil, um dos cenários artísticos mais interessantes e vivos da atualidade. Estou muito feliz com o fato de sua criação estar exposta no MoMA", disse à AFP um dos curadores da mostra, Luis Pérez-Oramas. Carvalhosa é paulista, mas vive e trabalha no Rio de Janeiro. O artista já se apresentou na França e na Holanda. "Um grupo do MoMA viajou a São Paulo no ano passado, durante a Bienal. Visitamos alguns museus da cidade e ficamos surpreendidos com Sum of Days", lembrou Pérez-Oramas.
A obra parece simples: duas espirais de tecido branco levíssimo (todo o pano da montagem pesa apenas 40 quilos) e translúcido, ligadas entre si, formam um labirinto circular por onde o visitante se perde num mundo etéreo. Possui um sistema de captação do som ambiente que vai se acumulando e modificando com a soma dos dias.
Assim, microfones colocados em diferentes partes da instalação vão gravando o som ambiente da jornada, e o material é divulgado no dia seguinte por alto-falantes colados às paredes do átrio. A gravação de cada novo dia se sobrepõe ao anterior, criando um som único e diferente. Por sua vez, as primeiras gravações vão ficando em segundo plano, convertendo-se em murmúrio.
"A estrutura de 'Sum of Days' interrompe os limites definidos do espaço arquitetônico, permitindo uma experiência de imersão total, que deixa em suspense os parâmetros habituais de referência espacial conhecidos pelos visitantes", explicam os organizadores.