Arte & Agenda

Artistas e amigos dão adeus a Nydia Licia

Atriz morreu neste sábado, aos 89 anos

Atriz lutava contra um câncer no pâncreas
Atriz lutava contra um câncer no pâncreas Foto : Reprodução / CP
O corpo da atriz Nydia Licia foi velado na manhã deste sábado, no Teatro Sérgio Cardoso. O enterro ocorreu por volta das 14h no Cemitério Israelita do Butantã com a presença de representantes da cultura, artistas e amigos. A atriz lutava contra um câncer no pâncreas diagnosticado em agosto deste ano. Ela estava internada no Hospital São Luis desde novembro.

Nascida em 30 de abril de 1926 em Trieste, na Itália, Nydia Licia Quincas Pincherle Cardoso era filha de um médico e de uma crítica musical, ambos de origem judaica.

Em 1939, com o avanço do fascismo na Europa mudou-se com a família para a cidade de São Paulo. "Temos que agradecer a vinda dela para o Brasil", conta a atriz e diretora do Célia Helena Centro de Artes e Educação Ligia Cortez.

Mais tarde, Nydia frequentou o curso de história da arte ministrado por Pietro Maria Bardi e foi selecionada como sua assistente para trabalhar no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MASP). "Ela era uma mulher discreta e de recato, uma pessoa de fazer, não de aparecer". 

A partir de 1948, Nydia passou a integrar o Teatro Brasileiro de Comedia (TBC) e foi nessa época que conheceu o futuro marido Sérgio Cardoso enquanto montavam o espetáculo "Entre Quatro Paredes". "Ela esteve entre os remanescentes desse momento legendário no teatro brasileiro.", conta Ligia. 

Antes de se separar de Cardoso, Nydia passou pela TV Record e abriu a própria companhia com a reforma do antigo Cine-Teatro Espéria, no Bixiga. "Como mulher é sempre importante lembrar", diz Ligia. "Ela foi uma grande empreendedora em um tempo que não havia espaço algum para as mulheres". 

Na TV Cultura e no Teleteatro 2, Nydia abriu espaço para programas educativos e acolheu o trabalho de diversos artistas durante os anos de repressão, conta o diretor Oswaldo Mendes. "Enquanto a censura silenciava o teatro, ela reuniu diretores, atores e autores para que exercitassem o seu ofício com a maior liberdade que era possível nos anos 70."

Em 1992, começou atuar como professora na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), e na Escola Célia Helena, onde deu aulas de interpretação. "Ela trazia uma vasta bagagem cultural e fez um grande trabalho de base. Posso dizer que muita gente aprendeu com ela", lembra Ligia.

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