A canção improvisada por Nadejda Tolokonikova, María Alejina e Ekaterina Samutsevich, as três em prisão preventiva há quatro meses, foi chamada de "Maria mãe de Deus, expulsa Putin". Elas podem ser condenadas a sete anos de prisão por vandalismo. "Não há fundamento jurídico nem razão prática para manter fora da sociedade estas jovens, que não apresentam nenhum perigo", declaram os artistas.
"Temos opiniões divergentes sobre o caráter moral e ético da ação de fevereiro na catedral", escreveram os artistas na carta. "Contudo (...) estas jovens não mataram, não roubaram nem praticaram violência. A Rússia é um Estado laico, e nenhum ato anticlerical que não esteja previsto por um artigo do código penal pode ser objeto de diligências penais", argumentam. A Suprema Corte russa reagiu e disse que não tolerará "nenhuma pressão".
Muitas personalidades da comunidade cristã ortodoxa desaprovaram a gravidade das acusações apresentadas contra as jovens e a sua detenção. Também denunciaram a posição do patriarcado de Moscou, que quer castigá-las severamente.
As jovens afirmaram que com a canção queriam simplesmente denunciar "a colusão da Igreja e do Estado" na Rússia. A Anistia Internacional e a ONG russa Memorial também exigiram a libertação das cantoras, e o responsável pelos direitos Humanos no Kremlin, Vladimir Lukin, pediu que elas fossem tratadas com uma atitude cristã.