Em cena, a dona de casa Helena, ouvinte assídua de um programa de rádio, ouve num determinado dia a revolta de sua radialista preferida, Adelaide Fontana, que tomada de um extremo de fúria pelos anos dedicados à Rádio Esperança do Interior, resolve lavar a roupa suja de uma cidade e a sua própria em frente aos microfones da rádio. O público então se depara com a revolta dessas duas mulheres que interferem num primeiro momento, indiretamente, mas posteriormente, diretamente uma na vida uma da outra.
O que se dá é um compêndio de duas mulheres desiludidas, maduras, valentes que escancaram perante o público, temores, dores, angústias em seus delírios de amores. No palco, os atores não chegam a contracenar. Suas falas se cruzam e se intercalam em monólogos separados.
A atriz Angélica diz que as mulheres de todas as idades irão se identificar com a montagem. Para ela, a mulher de Balzac, antigamente conhecida como a de 30 anos, na modernidade, é aquela com mais de 40 anos. "Depois dessa idade, a mulher revela seu âmago e consegue falar de seus sonhos frustrados, solidão e preconceitos impostos pela sociedade. A nossa intenção é levar o público ao riso e ao choro, ao revelar extremos e pressões vividos no cotidiano feminino", revela.