Arte & Agenda

"As Duas Irenes" traz busca pela identidade na adolescência

Filme integra mostra competitiva de longas brasileiros do Festival de Gramado

Elenco e o diretor Fábio Meira, de "Duas Irenes", no Festival de Gramado
Elenco e o diretor Fábio Meira, de "Duas Irenes", no Festival de Gramado Foto : Diego Vara / Pressphoto / Divulgação / CP
A mostra competitiva de longas brasileiros do Festival de Gramado assistiu, na noite de domingo, ao primeiro longa-metragem do diretor Fábio Meira, "As Duas Irenes". Filmada em Goiás, a narrativa se passa em uma cidade pequena, onde o sistema patriarcal e machista ainda se mostra o dominante nos costumes. A protagonista, Irene, é vivida por Priscila Bittencourt, que não pôde estar em Gramado por estar morando fora do Brasil. Ela interpreta uma adolescente de 13 anos que descobre que o pai tem outra família e, pior ainda, tem uma irmã com a mesma idade e com o mesmo nome.

Após o choque inicial, Irene vai se tornando amiga da meia-irmã (Isabela Torres). E, a partir daí, o filme acompanha as descobertas da idade de ambas, que ganham como agravante o fato de ter a presença "da outra Irene" como uma espécie de reflexo. O roteiro conduz, com delicadeza, uma comparação entre elas sobre as mudanças corporais, o interesse pelo sexo oposto e a relação com o pai, interpretado por Marco Ricca em uma atuação forte e precisa. A presença do pai é tão forte e inquestionável naquele ambiente que nenhuma das duas consegue conversar com ele sobre suas descobertas recentes, até que ambas bolam uma estratégia definitiva, a ser conhecida somente no final do filme.

"Eu quis fazer um filme atemporal", explicou o diretor sobre a ambientação do longa, um lugar com estrada de chão e sem a presença de celulares ou computadores. "Essa história poderia ser nos anos 60, 70 ou 80, ou mesmo na atualidade, em algum lugar escondido no mundo", definiu o cineasta. Meira conta que, em suas pesquisas para escrever o roteiro, se deparou com relatos de casos reais em que homens tinham não apenas duas famílias, mas filhos com os mesmos nomes. Uma explicação possível para isso, diz o cineasta, é a tentativa de errar menos na hora de chamar os filhos.

No caso do filme em questão, as protagonistas são levadas a questionar a sua ainda tenra identidade frente a uma figura que lhes serve de espelho. A sutileza com que o cineasta conduziu essa transição é um dos trunfos do filme, que, desde o seu início teve a proposta de ser um filme "pequeno", no sentido de ter um orçamento enxuto. Mas é um filme rico para quem gosta de encontrar em obras cinematográficas material farto para análises psicológicas.

Entre os destaques do longa também se pode citar a atuação de duas atrizes, Teuda Bara e Inês Peixoto, do reconhecido grupo de teatro mineiro Galpão. Ambas emprestam à história a presença de figuras femininas responsáveis pelo clima de aconchego que só casas interioranas costumam proporcionar. O filme já tem previsão de estreia nacional, através da Sessão Vitrine, para o dia 14 de setembro.

Guia de Programação: a grade dos canais da TV aberta desta quarta-feira, dia 21 de outubro de 2026

As informações são repassadas pelas emissoras de televisão e podem sofrer alteração sem aviso prévio