Arte & Agenda

Associação Gaúcha de Escritores sai em defesa de escritora hostilizada nas redes

Jornalista e escritora gaúcha Camila Rocha teve seu livro “Fissurada pela Vida” sobre fissura labial retirado da lista de indicações de uma escola e sofreu ataques nas redes sociais

Jornalista e escritora Camila Rocha sofreu ataques nas redes sociais e teve o livro "Fissurada Pela Vida" retirado da lista de indicações de uma escola no RS
Jornalista e escritora Camila Rocha sofreu ataques nas redes sociais e teve o livro "Fissurada Pela Vida" retirado da lista de indicações de uma escola no RS Foto : Instagram / Reprodução / CP

Após um fato de censura a um livro de uma escritora gaúcha, a Associação Gaúcha de Escritores (AGES) se pronunciou hoje em postagem no Instagram como solidariedade a jornalista e escritora Camila Rocha. Na nota, a AGES, presidida pela escritora, artista plástica e cantora Liana Timm, se solidariza com Camila “contra as manifestações obscurantistas e reacionárias contra o seu livro ‘Fissurada pela vida’, obra premiada que trata do tema da fissura labial e palatina”.

Segundo a nota de repúdio e solidariedade, a obra é vendida em 24 estados brasileiros e 11 países, e teria sido retirado da lista de indicações de uma escola no qual foi adotado e a autora hostilizada nas redes sociais, “após um vídeo ofensivo e calunioso de um integrante do secretariado municipal de São Leopoldo. A avalanche de manifestações agressivas fez com que a escritora se retirasse das redes sociais”. A nota publicada no Instagram foi repostada por Camila no perfil do livro no Instagram @fissuradapelavida e no perfil pessoal @calrocha1000.

“Pessoas leigas, ou sem formação adequada, não são capazes de fazer uma leitura qualificada de um texto literário, incorrendo regra geral em equívocos graves, como os já demonstrados nas restrições aos livros ‘O avesso da pele’, de Jeferson Tenório, e “Enfim, capivaras”, de Luísa Geisler, por exemplo. Tanto em caso de limitação leitora, ou de má-fé, não podemos permitir que o olhar leigo se sobreponha ao olhar especializado, porquanto que o direito de cátedra, também conhecido como liberdade acadêmica, é um princípio constitucional que garante aos professores a liberdade de ensinar, pesquisar, aprender e divulgar ideias, sem sofrer interferências externas. Os livros sempre representaram uma ameaça ao conservadorismo. Devemos nos manter sempre atentos e vigilantes contra a censura a livros, autores e autoras”, destaca a nota da Ages nas redes, finalizando com um slogan “Lugar de livro é na escola”.

Camila Rocha lançou “Fissurada pela Vida” no final de 2021 e desde então a obra é sucesso no país e fora dele. Ela escreve desde criança e mantém um diário desde a adolescência. Jornalista formada, há 24 anos, pela Unisinos, concluiu o Curso Livre de Formação de Escritores, da Metamorfose, em 2018. Trabalhou em revista, jornal, rádio, assessoria de comunicação e TV. Já publicou 15 livros, dois autorais e 13 coletâneas e antologias.

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