Arte & Agenda

Ateliê André Venzon celebra 25 anos com exposição

Espaço participa do projeto Portas Abertas para a Arte da 13ª Bienal do Mercosul

Espaço reúne obras de diferentes estilos e técnicas
Espaço reúne obras de diferentes estilos e técnicas Foto : Igor Sperotto / Divulgação / CP

Neste sábado, dia 15 de outubro, entre 14h e 18h, o Ateliê André Venzon comemora 25 anos de atuação com a exposição pop up "Eu Me Deixo Ser", que participa do projeto "Portas para a Arte" da 13ª Bienal Mercosul. O espaço apresenta centenas de obras de arte contemporânea do artista e da sua coleção de arte exposta de forma inusitada. Criado junto a oficina mecânica da sua família, no antigo 4° Distrito de Porto Alegre, o lugar também é pensado pelo artista como uma obra de arte instalativa, interessante para quem "busca conhecer uma casa-ateliê-acervo e arejar seus conceitos de como viver com arte por todos os lados, dos pés à cabeça, literalmente".

Segundo o amigo e curador Nicolas Beidacki, basta caminhar pelo seu ateliê, olhar os primeiros trabalhos, identificar a estante com presentes de amigos, reparar no acúmulo de potência que alimenta o artista nesse ambiente, para chegarmos a uma conclusão: "tudo que falta no mundo lhe preenche. As obras de arte, os livros, o acervo pessoal, os papéis de cada evento, as anotações, o apreço pela lembrança, por vivenciar a experiência de tentar nunca mais esquecer. Tudo aquilo que se apaga, que desaparece atrás dos tapumes na cidade, que se torna invisível para determinadas camadas sociais e que se desprende do afeto recebe acolhimento e devoção do artista. Sua prática é assim: uma vontade de conseguir desejar tudo; e uma força para reconhecer a dimensão das coisas que foram perdidas. Não permitir a destruição, não deixar avançar o horror e não ceder ao sentimento de incompreensão da vida."

Seja revestindo completamente a si mesmo ou transformando as cabeças dos outros – colocando um cubo rosa para cobrir o rosto – a obra de Venzon busca nos inserir numa visão interna e até mesmo solitária sobre a vida. O jogo entre se abrir para o mundo ao nosso redor, mas não abandonar o olhar para um interior colorido reverbera uma multiplicidade de conflitos que transformam o sujeito e o colocam em confronto com a sua subjetividade. Ao perceber aquilo que fecha, reveste, protege e camufla, André pontua as necessidades de pessoas e lugares num mundo marcado por inúmeros projetos de destruição. A falência de bairros, a precarização da vida, a violência de um sistema econômico, o abuso e venda do próprio corpo e o esquecimento são parte fundamental de uma reflexão sobre a cidade, as pessoas e a arte que dialoga com o tema "Trauma, sonho e fuga" da Bienal. Reflexão essa que não se desprende daqueles que fazem de sua própria obra um conjunto de força. É a mescla entre o peso do mundo e a beleza rosa dos sujeitos comprometidos com a manifestação da singularidade, potência e dualidade do seu ambiente de origem. 

A exposição, com visitação gratuita, também é um convite para comemorar a esperança de que toda arte é portadora, desejando sempre a liberdade de expressão e do próprio ser. O Ateliê fica na Rua Leopoldo Froes, 126, bairro Floresta, 4º Distrito, Porto Alegre. Informações pelo WhatsApp 51 98125-4411.

 

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