Os ouvidos serão João Carlos Bona Garcia, Nilce Azevedo Cardoso, Lilian Celibérti, Suzana Lisbôa, Antônio Losada, Sônia Haas, Nei Lisboa, Flávio Koutzii e Lorena Holzzman. Todos eles estão ligados à memória da resistência ou da luta por respostas de familiares de perseguidos políticos.
A abertura do evento vai contar com a apresentação do grupo “Ói Nóis Aqui Traveiz”, que vai realizar a performance “Onde?”, sobre os desaparecidos da ditadura. O músico Nei Lisboa, irmão de Luiz Eurico Lisboa, morto pela repressão militar, além de dar seu depoimento, também vai oferecer ao público algumas de suas canções.
O evento é realizado com o apoio de professores de Porto Alegre, que vão levar os alunos das escolas onde lecionam para assistir. O organizador do ato e coordenador do curso de História da UFRGS, o historiador Enrique Padrós, diz que a homenagem é uma forma de ocupar a Universidade com a memória dos que foram silenciados pela ditadura.
“Sempre fizemos uma menção aos que resistiram, que foram vítimas diretas ou indiretas da ditadura. Este ano decidimos fazer isso ocupando o campo específico da educação. Por isso este evento com as escolas, ao invés de um seminário de pesquisadores, que vai ficar para o segundo semestre. Muitas pessoas durante a ditadura foram expulsas das universidades federais. E outros, que eram perseguidos, tiveram que viver na clandestinidade. Então conseguimos o espaço mais nobre da Universidade para ouvir estas pessoas sobre o golpe, a repressão e a sobrevivência”, conta Padrós.
O historiador explica que, com a participação das escolas, a memória será transmitida de maneira geracional, como uma semeadura que poderá virar colheita. O ato é aberto ao público e ocorre no Salão de Atos da UFRGS, na Av. Paulo Gama, 110, a partir das 18h, com previsão de três horas de duração.