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Atriz francesa Anouk Aimée morre ao 92 anos

Atriz é conhecida pelos papéis em “Um Homem, Uma Mulher”, “Lola” e “La Dolce Vita”

Estrela do cinema francês, Anouk Aimee se tornou um ícone do romance condenado na década de 1960. Registro de 2019
Estrela do cinema francês, Anouk Aimee se tornou um ícone do romance condenado na década de 1960. Registro de 2019 Foto : Sébastien BERDA / AFP

A atriz francesa Anouk Aimée morreu nesta terça-feira, dia 18, em sua casa em Paris aos 92 anos, anunciou seu agente à AFP. A intérprete de “Um Homem, Uma Mulher”, “Lola” e “La Dolce Vita” “faleceu esta manhã”, declarou Sébastien Perrolat, da agência TimeArt. Sua filha, Manuela Papatakis, expressou no Instagram a “imensa tristeza” com a morte da mãe.

Françoise Judith Sorya Dreyfus, seu nome verdadeiro, nasceu em 27 de abril de 1932, em Paris. Filha de atores, sua primeira atuação no cinema foi em "La Maison sous la Mer” (1947), quando tinha apenas 14 anos. Foi também quando resolveu adotar o nome de seu personagem, Anouk. Quem sugeriu que a atriz adotasse o pseudônimo de Aimée foi Jacques Prévert, roteirista do filme "La Fleur de l'âge" (1947), primeiro longa-metragem que ela atuou.

A sofisticação sensual de Aimee agraciou obras-primas europeias como "La Dolce Vita" (1960) e "8 1/2" (1963), de Federico Fellini. A estrela do cinema francês se tornou um ícone do romance condenado na década de 1960 graças ao filme vencedor do Oscar "Um Homem e uma Mulher"/”Un homme et une femme” (1967). A atriz conquistou seu primeiro prêmio em 1967, com um Globo de Ouro para melhor atriz. No mesmo ano, também recebeu o BAFTA e foi indicada ao Oscar de melhor atriz por seu desempenho neste filme. Em 1980, no Festival de Cannes, conquistou o Prêmio de Interpretação Feminina por "Salto nel vuoto" (1980), de Marco Bellocchio. Em 2002, recebeu o César de honra pelo conjunto de sua carreira. E em 2003, Urso de Ouro em Berlim.

“Sou feminina e ser mulher é uma força incrível", disse a atriz que também soube manter seu status de estrela do teatro. Graças à apaixonante história de amor entre uma viúva e um piloto de corridas (Jean-Louis Trintignant), Aimée ganhou um Globo de Ouro de melhor atriz e foi indicada ao Oscar.

O filme também foi um sucesso mundial graças à trilha sonora e ao refrão cativante da música principal, cantada por Pierre Barouh e Nicole Croisille. Décadas depois, em 2019, ela voltaria a contracenar com Jean-Louis Trintignant em "Os Melhores Anos de Uma Vida", sequência dirigida pelo próprio Lelouch.

Ao longo de sua longa carreira, Aimée trabalhou com grandes nomes do cinema, como Bernardo Bertolucci, Vittorio de Sica, André Delvaux, George Cukor e Robert Altman. Foi uma "Lola" inesquecível para Jacques Demy, uma mulher misteriosa para Federico Fellini em "A Doce Vida" e em "Oito e Meio". Para Anouk Aimée, que trabalhou muito na Itália, Fellini era o "Mont Blanc" do cinema.

Anouk Aimée passou por três casamentos: com o cineasta Nikos Papatakis, no qual teve sua filha Manuella; com o cantor compositor Pierre Barouh, coautor, com Francis Lai, da trilha de "Um Homem, Uma Mulher", e com o ator britânico Albert Finney. Ainda, teve um relacionamento com o cineasta Élie Chouraqui.

"Mulher livre"

"É preciso ser feminina", ela insistia. "Não manter (no casal) relações de poder com o outro". "Tive sorte de ser uma mulher livre, mas nunca me vi como mulher fatal", disse.

A atriz estreou em 1949 em "Os Amantes de Verona", de André Cayatte. Em seguida, apareceu em filmes como "A Cortina Carmesim" (Alexandre Astruc), "Expresso de Paris" (Harold French) e "Contraband Spain", codirigido em 1955 por Lawrence Huntington e Julio Salvador. Robert Altman a convidou para seu grande retrato da moda parisiense "Prêt-à-Porter", em 1994. Ela também filmou nos Estados Unidos para George Cukor e Sidney Lumet.

Anouk Aimée disse que poderia ficar muito tempo sem filmar. "Não sei me vender muito bem, sou uma pessoa que espera. Preciso ser pressionada", disse. Mesmo assim, fez mais de 80 filmes... mas rejeitou o papel interpretado por Faye Dunaway em "Crown, o Magnífico" (1968). "Me fizeram tantas propostas, fiquei confusa, já não sabia", justificou.

No teatro, seu grande sucesso foi "Love Letters", do autor americano Albert Ramsdell, que interpretou centenas de vezes, com vários companheiros de palco: Bruno Cremer, Jean-Louis Trintignant, Philippe Noiret, Jacques Weber e Gérard Depardieu. Também atuou na televisão, principalmente em adaptações de grandes textos literários.

Anouk Aimée vivia em sua casa parisiense em Montmartre, cercada de filmes, gatos e cães. Era uma defensora da natureza e dos animais.

*Com informações da AFP e Correio do Povo

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