A outra, Chela, vivida por Ana Brun, acaba tendo de se virar sozinha para manter a casa e começa a vender móveis e objetos antigos. Ana Brun é, desde já, uma forte concorrente ao prêmio de Melhor Atriz na categoria estrangeiro, visto que já foi vencedora no Festival de Berlim por esta mesma atuação, entre outros troféus. “Fiquei realmente muito surpresa por ganhar, porque havia ótimas atrizes na competição”, revelou.
Mas o filme não apenas retrata uma parcela da burguesia do país, mas também aborda questões afetivas na terceira idade. Quase sem querer, Chela começa a levar vizinhas de carro para para eventos e se torna uma motorista particular. Isso a faz conhecer Angy, mulher mais jovem que a perturba e ao mesmo tempo lhe desperta uma nova conexão com o
mundo.
“A pequena burguesia nem sempre é retratada na cinematografia paraguaia”, definiu o produtor Sebastian Peña Escobar. Apesar de estar com pouco dinheiro, Chela não admite perder o estilo de vida, por isso mantém a empregada da casa. “Acredito que o fato de manter a empregada demonstra um resistência de classes conservadoras à mudanças
sociais”, opinou a atriz Ana Ivanova, que interpreta Angy. Um detalhe interessante da produção é que as cenas em que Chiquita está presa foram realizadas em uma prisão real paraguaia.