Entre heróis musculosos, assassinos urbanos, apostas perigosas e despedidas inevitáveis, as estreias de cinema desta quinta-feira oferecem um retrato fragmentado de importantes questões contemporâneas.
Em “Mestres do Universo” estamos diante de uma adaptação de uma das propriedades mais icônicas da cultura pop dos anos 1980. Sob direção de Travis Knight, responsável pelo elogiado “Kubo e as Cordas Mágicas”, a produção tenta transformar nostalgia em relevância contemporânea. A história do príncipe Adam assumindo seu destino como He-Man pode parecer familiar, mas carrega desafio gigantesco. A tentativa de fazer guerreiro de espada mágica voltar a soar épico. Eternia surge como um território onde fantasia e aventura podem recuperar o encantamento que o cinema blockbuster muitas vezes perdeu.
Confira no vídeo:
Além do peso da nostalgia, “Mestres do Universo” carrega uma responsabilidade que vai além do entretenimento. O personagem nasceu em um período em que a imaginação infantil era alimentada por mundos grandiosos e conflitos absolutos entre bem e mal. Hoje, diante de um público mais cético e fragmentado, a pergunta é se ainda existe espaço para a ingenuidade épica. Travis Knight parece apostar que sim. Essa crença torna o projeto interessante, pois em tempos marcados pela ironia permanente, vale a coragem de levar a fantasia a sério.
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Já “Todo Mundo em Pânico 6” aposta na gargalhada como forma de sobrevivência. Quase 15 após o lançamento do último filme, a franquia está de volta com o seu sexto filme Em uma indústria cada vez mais séria consigo mesma, a produção retorna para zombar de tudo e de todos. Com Marlon Wayans, Shawn Wayans e Anna Faris novamente envolvidos, o filme promete resgatar o humor anárquico que transformou a série em fenômeno cultural. Nem sempre o resultado é elegante. Mas elegância nunca foi o objetivo.
Entre as produções brasileiras, “Dolores”, de Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar, traz protagonista rara no cinema contemporâneo. Aos 65 anos, Dolores sonha que se tornará dona de cassino de sucesso. Só que seu histórico de compulsão por jogos transformou a aposta em espécie de maldição pessoal. Entre drama e ironia.
Da França chega aos cinemas nesta semana “Olhe o Mar”. Esta comédia dramática aposta na delicadeza e na profundidade. Em cena, adolescente que perde gradativamente a visão em decorrência de doença rara, a produção francesa transforma a fragilidade em potência narrativa. Em tempos de excesso de estímulos e imagens, talvez seja justamente um filme sobre a perda do olhar que nos obrigue a enxergar melhor.
Fechando a lista, o premiado “O Bolo do Presidente”, dirigido pelo iraquiano Hasan Hadi, é ambientado no Iraque dos anos 1990, durante o regime de Saddam Hussein e o período de sanções econômicas após a invasão do Kuwait. O filme acompanha Lamia, uma menina de nove anos escolhida por seu professor para preparar um bolo emhomenagem ao aniversário do presidente. Tudo em meio à escassez a um clima de medo. A produção venceu a prestigiada Caméra d’Or no Festival de Cannes 2025, prêmio de Melhor Estreia em Longa-Metragem, além de receber o Prêmio do Público da Quinzena dos Realizadores.