Quem passar pelo Instituto Ling até o dia 31 de agosto pode conferir o mural criado pela artista visual paraense Bárbara Savannah na parede de entrada do centro cultural. Natural da Ilha do Marajó, ela traz referências do seu cotidiano na obra que apresenta uma paisagem imaginada, com camadas sobrepostas de água, da vegetação da floresta amazônica e da luz característica do Norte do Brasil, imbuída com a identidade da pintora, que cresceu em uma casa de frente para o rio.
O trabalho de grandes dimensões foi desenvolvido em um espaço com 6m de largura e quase 3m de altura e pode ser visitado de segunda a sábado (exceto feriados), das 10h30min às 20h, com entrada franca.
O material que serviu de base para a intervenção artística foi o Xadrez verde, corante com baixo custo muito utilizado na região amazônica pelos ribeirinhos, construtores de barco e pintores locais. O item foi usado pela artista como forma de homenagear e de reforçar o comprometimento estético com o seu lugar de origem.
"A combinação do Xadrez verde com a tinta branca destaca-se na vida cotidiana amazônica. Essa mistura não apenas evoca memórias e pertencimento cultural, mas representa meu primeiro contato com as cores e a mistura de tintas no mundo da arte", explica Bárbara.
A intervenção artística foi registrada em um documentário assinado pela produtora Eroica Conteúdo, com imagens de Marcelo Freire e direção audiovisual de Caio Amon. O filme está disponível no canal do YouTube do Instituto Ling:
A criação faz parte da terceira temporada do Ling Apresenta, projeto que convida artistas de diferentes regiões do Brasil a realizarem intervenções inéditas e que, neste ano, ainda receberá outros três jovens talentos do Norte do país selecionados pela curadora Vânia Leal, com o intuito de aproximar o Rio Grande do Sul da cultura amazônica. Para os próximos meses, estão confirmadas as participações da artista indígena Sãnipã, do Amazonas, além de Bonikta e Éder Oliveira, ambos do Pará.
Bárbara Savannah é uma artista originária do Pará. Residindo em Belém, participou de exposições coletivas como Mãe do corpo (2019), do coletivo Vênus, na galeria Benedito Nunes (Fundação Cultural do Pará); e Mulher ser Mulher (2020), na Fundação Cultural de Ilhabela - FUNDACI – SP; além de realizar a exposição individual Universo entre folhas (2021), na galeria Izabel Aquino. Destacando-se no muralismo, sua arte saudosista ecoa nas paredes das cidades, trazendo a temática amazônica e ribeirinha para o cenário urbano.