A partir do bairro da Bela Vista, vai misturando cultura europeia - italianos do Bixiga - com cultura do Brasil, notadamente aquela de extração africana, as duas se entrelaçando na origem deste bairro central da capital de São Paulo. O que resulta são os sotaques próprios de suas antológicas canções, como “Samba Italiano”, “Iracema”, “Mariposas”, “Bom-Dia, Tristeza”, “Tiro ao Álvaro”, “Saudosa Maloca” e “Trem das Onze”.
Décio Otero cria sobre estas partituras, sua escrita coreográfica, transformada em espetáculo por Marika Gidali, em elenco renovado, onde todos permanecem em cena como um coro cênico que comenta as ações dos solistas, duos e trios. O coro é como São Paulo, metáfora de multidão, de onde se descolam os bailarinos para dançar os cotidianos dramas das canções do compositor da Bela Vista. Em cena, além da tradução das canções de Adoniran, ainda temos uma possível representação de uma figura sua - na forma de clown, maestro sem orquestra, mago - que observa a ação que se vai tecendo, ao longo do espetáculo.
Fundado em 1971, o Stagium foi o primeiro balé a utilizar a MPB como trilha de espetáculos; já dançou e homenageou Pixinguinha, Geraldo Vandré, Cartola, Ary Barroso, Cartola e outros. Em suas criações, utilizando vertentes universais da dança com aspectos tipicamente brasileiros, conquistou um vasto público em todo o país.