Em março, o Bando de Brincantes realiza quatro apresentações do espetáculo “A Desconhecida Lenda de Maculelê” em escolas públicas. Além disso, todos os domingos, de 16 de março a 13 de abril, às 17h, a peça será apresentada para crianças com acessibilidade universal, na Praça Brigadeiro Sampaio, perto do Tambor do Museu de Percurso do Negro, no Centro Histórico de Porto Alegre. As sessões fazem parte do projeto “A Desconhecida Lenda de Maculelê: aquilombamentos culturais transformadores” e têm entrada franca.
Com dramaturgia e direção de Viviane Juguero e consultoria de direção de Jessé Oliveira, a montagem tem no elenco Diego Nayà, Éder Rosa, Fe Oliver, Vander de Paula e Viviane Juguero. O espetáculo, que estreou em novembro de 2024, mês da consciência negra, dentro da programação do festival Porto Alegre em Cena, agora traz mais uma novidade, pois essas apresentações contarão com o resultado da pesquisa sobre Audiotransposição Poética (assessibilidade para pessoas com deficiência), proposta pela diretora Viviane Juguero.
Sinopse
A dramaturgia, de Viviane Juguero, apresenta um grupo de quilombolas que conta como a luta de Maculelê originou o Quilombo Ominira (liberdade, em Iorubá), onde essa comunidade vive até os dias de hoje. Por meio de uma dramaturgia griô, predominantemente composta em versos de slam, a história revela como o filho da sábia líder africana Imani, o valente Maculelê, e a guerreira indígena Iaraci, derrotam os colonizadores, sob a proteção de Orixás.
De forma lúdica, adequada ao pensamento infantil, o trabalho não deixa de abordar os sofrimentos das pessoas que foram escravizadas e tiveram seus territórios invadidos, mas, especialmente, enfatiza seu heroísmo e resistência, por meio de uma narrativa épica que revela a força das comunidades negras e indígenas, associada ao jogo dançado de maculelê e à beleza de cantos e danças que reverenciam orixás. A música é realizada ao vivo, pelo elenco, com a utilizações de diversos tipos de tambores e instrumentos de percussão, além de cavaquinho, berimbau e cantos diversos, em recriações do folclore popular. Todos esses elementos resultam numa peça envolvente, comprometida, divertida e emocionante que promove valores e percepções distintos da cultura hegemônica. Vale destacar que a lenda foi concebida de modo a promover a igualdade de gênero, tendo o protagonismo feminino acentuado nas líderes Imani (africana) e Iaraci (ameríndia).
Após as apresentações, haverá o momento Troca de Saberes, no qual o público será convidado a conhecer um pouco a trajetória do Bando de Brincantes e da criação deste espetáculo, além de experimentar movimentos e canções do Maculelê. A plateia poderá ainda tecer suas impressões sobre a peça, podendo dar, até mesmo, sugestões que poderão ou não ser incorporadas ao trabalho.
Acessibilidade
O espetáculo de teatro de rua para crianças “A Desconhecida Lenda de Maculelê”, contará com acessibilidade universal comunicativa, contendo a interpretação em libras de Henrique Rodrigues e audiotransposição poética em todas as apresentações, em uma pesquisa inédita que vem sendo desenvolvida pelo Bando de Brincantes. A investigação emergiu da iniciativa da dramaturga, diretora e pesquisadora Viviane Juguero que é uma pessoa híper-míope e que sugeriu discutir as suas inquietações a respeito das experiências de apreciação de crianças com deficiência visual na arte teatral.
A recomendação é que o público leve suas próprias cadeiras, banquinhos ou esteiras, visto que não haverá acomodações para a plateia.