Não é difícil encontrar semelhanças com esta grande família. Além da rotina corrida entre trancos e barrancos, o filme registra com muita naturalidade a união entre todos os envolvidos. É a brincadeira entre quem decide que cama ficar, a chegada do primo que vira um irmão, a tia Sônia (Adriana Estevez) que é acolhida após sofrer violência doméstica pelo marido (César Troncoso), a discussão por detalhes mínimos de não ajudar dentro de casa e entre outros elementos que compõem uma história tão sensível de assistir. Inclusive, a casa representa tanto o momento de mudança que os personagens vivem quanto a identidade do grupo. Com remendos, improvisações, coisas quebradas, a residência também se torna mais um personagem devido ao apego que Irene tem pelas lembranças e conquistas ali dentro.
• "Benzinho" destaca protagonismo feminino dentro do lar
Em "Benzinho", Karine Teles demonstra uma realidade tão forte que arrepia em diversas cenas. A personagem Irene é um pouco de cada mãe que existe no Brasil. A que desenvolve diversas funções dentro do lar, mas que não deixa de ser mulher. Principalmente sonhadora. Quando ela finalmente conclui o ensino médio, ela comemora este momento radiante, feito uma adolescente no dia mais importante da sua vida. Aí ela brinca com a vaidade e se diverte ao lado de Sônia, papel de Adriana Estevez. Esta que marca presença como coadjuvante, mas que não passa despercebida. A atriz equilibra a fragilidade e força de uma mulher que entende que não está sozinha e por isso também se joga no momento de mudanças da história.
O diretor Gustavo Pizzi cumpre um trabalho bonito, humano e formidável ao contar a história de uma família verdadeiramente brasileira. Inclusive, os pequenos gêmeos que participam do filme são filhos da Karine Telles, assim como sobrinho da atriz que também participa do elenco. Então esta união familiar da ficção e realidade contribuiu para que este filme seja o próprio retrato do nosso lar.
"Benzinho" estreia na próxima quinta-feira nos cinemas brasileiros.