Bernardo Busnello está na 11ª e na 12ª temporada da série “Reis”, na Record, como Atai. O artista, no entanto, já esteve no projeto, interpretando Ózem, na 4ª temporada da produção. Com 26 anos e sete anos de carreira, começou a estudar interpretação na Escola Machado Nascimento, em Porto Alegre. Lá, o gaúcho fez seus primeiros projetos profissionais, como o longa “Existem Lobos no Sótão”, e a websérie “SongBook”, todas dirigidas por Eduardo Gil. Por conta do trabalho na TV, em 2022 o ator fixou residência no Rio de Janeiro. Paralelamente à carreira de ator, Bernardo faz muitos trabalhos em publicidade.
Estás no elenco de “Reis" fazendo teu segundo personagem na trama. Qual a diferença entre Atai, o personagem atual, e Ózem, que interpretaste na 4ª fase da trama?
Por ser mais novo e ter nascido em uma família “comum” da época, o Ózem era um personagem com menos responsabilidades do que o Atai. Acho que essa é a principal diferença. Como príncipe, Atai traz um peso social muito maior e, consequentemente, tramas e desafios muito maiores do que os que passei com o Ózem.
Com Ózem, em 2022, aliás, fizeste tua estreia na teledramaturgia. Como foi esse momento de entrar num set de TV pela primeira vez? Alguma curiosidade para nos contar?
Foi a realização de um sonho, sem dúvidas. Eu sempre recebi um preparo e tive uma base de estudos muito forte pela Escola de Interpretação Machado Nascimento em Porto Alegre. Então, eu me sentia pronto pra enfrentar qualquer oportunidade do mercado de trabalho que viesse a aparecer pra mim. Entrar no set da Record pela primeira vez foi como se eu já tivesse passado por aquilo antes, mas agora vivendo à flor da pele, sabe? Uma sensação de euforia e nervosismo muito boa.
Tu costuma assistir o resultado das tuas interpretações? És muito crítico com o próprio trabalho?
Me assisto e sou muito crítico (risos). Eu acho que a melhor forma de evolução como artista é se assistir e entender se alguma motivação da cena foi para algum caminho errado, sem vaidades ou ego. Tenho a certeza de que nem todas as cenas da minha vida vão ser perfeitas como eu imaginei e acho que isso me faz querer assistir as minhas performances sem preocupações.
Como surgiu teu interesse pelas artes cênicas?
Meu primeiro contato com as artes cênicas aconteceu em uma peça de teatro na época da escola em que eu fui o protagonista e desde lá meu interesse começou a aumentar cada vez mais. Logo naquela época (2015) fui atrás de alguma escola em Porto Alegre para me aprofundar em estudos e de cara comecei a entender que teria um caminho de muita dedicação e esforço pela frente.
Por conta dos transtornos causados pelas enchentes no Rio Grande do Sul, estás ajudando o projeto Mobília Inteligente para conseguir material para construir móveis. Como surgiu a ideia de participar dessa campanha? Como tem sido fazer esse trabalho?
O Mobília Inteligente foi idealizado e criado por uma amiga, a Mariana Schneider. E, por isso, tive um contato muito rápido e direto com o projeto. Ela me apresentou como tudo funcionaria e eu logo falei que estaria com ela e toda a equipe que ela montou. Infelizmente minha interação com o projeto só se dá pela divulgação nas redes sociais, porque não consigo estar presencialmente em Porto Alegre em função das gravações da novela. Estar em contato com essas organizações em prol da recuperação do Rio Grande do Sul me faz muito feliz porque eu queria ter estado na linha de frente, como vi muita gente fazendo. Mas saber que eu posso, de alguma forma, ajudar as famílias que foram atingidas pelas enchentes me conforta.
Achas que todo artista tem que usar sua imagem para fazer campanhas?
Acho que ninguém tem a obrigação de ter a sua imagem vinculada a qualquer campanha, mas acredito sim que, como artistas e formadores de opinião, podemos usar nossa imagem para comunicar e instigar o público, desde que seja uma verdade para nós.
Por conta do trabalho no Rio você está longe de casa, mas ainda tem amigos e familiares por aqui. Como tem sido assistir a todo esse caos à distância? As enchentes afetaram tua família?
Confesso que eu tive dificuldade de entender a dimensão do estrago que as enchentes estavam causando quando tudo começou, porque eu olhava pela janela da minha casa aqui no Rio e tudo parecia muito normal, mas em ligações com meus familiares e amigos eu tomei proporção do que o meu Estado estava enfrentando. Foi uma mistura de sentimentos entre tristeza e impotência, por não poder me deslocar para Porto Alegre e me unir ao povo que estava ajudando. Minha família não foi afetada, graças a Deus.
Saíste do Rio Grande do Sul para trabalhar no Rio. Como foi essa mudança? Quais hábitos gaúchos ainda mantém na tua rotina carioca e o que já incorporou de carioca?
Eu costumo dizer que foi a mudança mais fácil da minha vida (risos). Como eu disse antes, durante meus anos de estudo em Porto Alegre fui sendo muito bem preparado. Então, quando a oportunidade surgiu eu simplesmente vim. Em dois dias estava morando na casa de um amigo do meu pai e vivendo a minha vida carioca. Dos costumes gaúchos eu mantenho o churrasco e o chimarrão, mas confesso que o estilo de vida carioca tem me conquistado cada dia mais.
O que te move?
Saber que eu estou exatamente onde eu deveria estar. Instigar pessoas através do meu trabalho. Orgulhar as pessoas que torcem pelo meu sucesso.
Quais seus sonhos profissionais?
Ser premiado por algum trabalho, estrear um filme no cinema, estar em uma produção estrangeira e produzir meu próprio filme, além de poder contribuir com o aprendizado de outras pessoas.