Arte & Agenda

Bia Ferreira é anunciada no Rototom Sunsplash

Brasileira estará no festival espannhol, um dos mais importantes eventos de reggae do mundo

A cantora vai dividir o palco com grandes nomes do ritmo jamaicano mundial
A cantora vai dividir o palco com grandes nomes do ritmo jamaicano mundial Foto : Ellen Faria / Divulgação / CP

A cantora, compositora e multi-instrumentista Bia Ferreira acaba de ser anunciada como uma das atrações do Rototom Sunsplash, um dos mais importantes festivais de reggae do planeta, que acontece em Benicassim (Espanha), de 16 a 21 de agosto. Ela vai dividir o palco com The Wailers, Andrew Tosh & Soul Syndicate fazendo tributo a Peter Tosh, Skip Marley, Alpha Blondy e grandes nomes do ritmo jamaicano global.

“Esse festival é a meca do reggae e dura uma semana, onde os maiores nomes do reggae music mundial vão se apresentar e eu estou bem animada. Para mim, é muito importante porque é um mercado que eu não ocupo sonoramente, mas é um lugar onde eu ocupo conceitualmente. Acho que a política que eu trago na minha música tem tudo a ver com reggae e a galera do Rototom percebeu isso e nos chamou para fazer um show exclusivo só de reggae, então eu estou bem ansiosa, acho que vai ser lindo”, declara Bia.

Passeando por ritmos afrodiaspóricos, é reconhecida por letras contundentes, visando facilitar a compreensão de temas importantes como necropolítica, cotas raciais, antirracismo, a luta pelos direitos das mulheres, da população lgbtqiap+ e a afetividade destes corpes, a fim de pautar tecnologias de sobrevivência através da arte.

No repertório, a artista apresenta músicas inéditas de reggae e algumas versões no ritmo jamaicano de canções de suas canções já conhecidas, mostrando a pluralidade de sua arte. Para esse espetáculo, ela leva a banda completa: piano, baixo, bateria e guitarra.

“A minha ideia é mostrar que a arte negra contemporânea brasileira tem várias caras e todas elas têm a cara da cultura negra, independente do ritmo que eu apresente. O Rototom vai ser um show exclusivo, preparado para esse festival, especialíssimo de reggae. Assim como o show do Musicbox (que aconteceu no dia 1o de abril, em Lisboa) foi especial preparado para o Musicbox e foi um show de rap muito incrível só comigo e a DJ no palco”, esclarece Bia.

Além do formato com banda completa ou com DJ, ela também tem se apresentado em voz e violão em seus shows pelo mundo.


BIA FERREIRA NO MUNDO

A presença de Bia Ferreira no cenário internacional está em expansão. Seu primeiro show de 2024 aconteceu em janeiro, em Nova York, como a única representante brasileira em um dos principais festivais de world music do mundo, o globalFEST, no Lincoln Center. Em fevereiro, embarcou para a sua primeira turnê no Canadá, fazendo parte do Black History Month. Em março, foi destaque em um dos maiores festivais de inovação e criatividade do mundo, o South by Southwest (SXSW), com três apresentações aclamadas por público e crítica que a acompanharam em Austin, no Texas (EUA). Em abril, embarcou pela primeira vez no ano para a Europa, para shows na Península Ibérica e, em maio, retornou à Europa para apresentações na Bélgica, Portugal e Alemanha.

Mas esse sucesso internacional, que faz parte da estratégia de globalização de seu trabalho, é uma continuação de 2023. Em janeiro, foi a única representante brasileira no projeto Tiny Desk meets globalFEST. Em maio, embarcou para a Europa para iniciar uma extensa temporada de shows no Hemisfério Norte que durou até novembro. Ao todo foram 50 apresentações, em 11 países da Europa e da América do Norte. Divulgando o afeto como tecnologia de sobrevivência, foi a artista independente brasileira que mais se apresentou nos principais festivais de world music do mundo.

“A diferença da tour desse ano com a do ano passado é que eu volto mais vezes para o Brasil, mas são nove países agora no primeiro semestre e eu pude entender que a minha arte é bem recebida em qualquer lugar onde eu vou. A turnê 2024 tem sido diferente porque ela se passa também na Europa, mas não só, nós vamos fazer Estados Unidos e Canadá mais vezes do que o ano passado, então eu acho que eu tenho experimentado um outro lugar de ocupação da arte que eu produzo. Tenho podido conhecer lugares onde eu nunca fui e também alcançar públicos diferentes do que já é esperado para o meu trabalho, que é o caso do Rototom e do Cruïlla Festival (Barcelona), que ocupam um grande destaque na cena de festivais aqui da Europa e que consideram a minha arte cabível no line deles”.

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