O ator interpreta 38 personagens, acompanhado do guitarrista Márcio Tinoco, que toca a trilha ao vivo, para dar o clima a cada cena, numa brincadeira com a realidade do cinema. Para falar de um gângster que descobre estar sendo perseguido por um assassino, toda linguagem remete a filmes antológicos, como “Matrix” e “De Volta para o Futuro”. “A trama é atual e se passa em Londres, mas lembra filmes noir e bebe no estilo de Humphrey Bogart e Bruce Willys”, define Gustavo, que faz toda a sonoplastia, incluindo barulhos de tiros e explosões. Com uma pincelada de caricatura, os personagens vão do traficante espanhol bonachão, à la Marlon Brando, em “O Poderoso Chefão”, ao atrapalhado assassino, que acaba matando um homônimo, que estava descobrindo a cura do câncer.
Segundo o intérprete, a peça remete aos filmes de Tarantino e agrada especialmente aos adolescentes, “uma geração que tem velocidade de informação muito grande, através da Internet, e não tem o hábito de ir ao teatro”. Ele viu a versão original em Londres, onde está em cartaz há quatro anos e que teve três continuações, se apaixonou pelo projeto e resolveu montar a versão nacional, que estreou há um ano. Desde então, fez mais de cem apresentações, no Rio de Janeiro, ganhando o Prêmio de Melhor Ator, no Festival Internacional de Teatro de Angra (Fita). Apresentou também a peça, com as sequências 2 e 3, de Joe, devidamente legendadas, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).