Arte & Agenda

Billie Holiday volta a cantar em Nova Iorque como holograma

Apresentação da artista vai inaugurar programação com uso da tecnologia

Cantora entrou para o Apollo Hall of Fame em abril, 100 anos após seu nascimento
Cantora entrou para o Apollo Hall of Fame em abril, 100 anos após seu nascimento Foto : William Gottlieb/ Apollo Theater/ Divulgação/ CP
Uma das maiores influências de gerações de cantoras de jazz e pop, Billie Holiday, voltará a cantar em Nova Iorque este ano, quando o teatro Apollo lançar seu programa de apresentações por holograma. Morta em 1959, a icônica artista, cujas apresentações no espaço, o único de integração racial da época, eram frequentes, vai inaugurar a programação regular de shows com a tecnologia que promete reviver os maiores astros da indústria musical. A previsão de estreia é no Dia de Ação de Graças, em novembro.

Com a iniciativa, o principal local de encontro do jazz no Harlem será o primeiro teatro dos Estados Unidos a oferecer apresentações via holograma. A escolha por Holiday, que teria completado 100 anos em abril, foi bastante natural, porque a artista fez sua estreia aos 19 anos no palco do Apollo. "As possibilidades inerentes a essa iniciativa são muito emocionantes, porque demonstram o impacto e a relevância duradoura de artistas de diferentes tempos e lugares geográficos", disse Jonelle Procope, presidente e chefe executiva do espaço.

A empresa Hologram USA se associou à companhia para eternizar as vozes de ícones da música. O processo funciona por gravação de campos de luz, em vez de imagens regulares de objetos, a fim de criar a ilusão de três dimensões. À medida que a tecnologia ficou cada vez mais sofisticada, a indústria fonográfica aumentou sua demanda por hologramas, que ganharam o noticário mundial em 2012, quando o festival de Coachella ressuscitou com sucesso o rapper Tupac Shakur em uma atuação junto às estrelas do hip hop Snoop Dogg e Dr. Dre.

Entre outras projeções famosas, estão um show em Las Vegas do pianista Liberace, já morto, e uma apresentação do rapper Chief Keef, que usou a tecnologia porque não podia viajar para Chicago graças a uma ordem de prisão. Mas os hologramas também têm suas críticas, que questionam seu gosto e mérito artístico duvidosos. Um exemplo é a banda Grateful Dead que considerou, mas descartou, trazer de volta à vida seu guitarrista Jerry Garcia quando fizeram uma série de shows de despedida em julho.

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