A entrevista de duas horas, transmitida pela rádio BBC, foi feita durante um voo no jato particular de Bob Dylan, durante uma turnê pelos Estados Unidos. Ele e Shelton, crítico musical que ajudou a alavancar sua carreira, iam de Lincoln, Nebraska, a Denver, no Colorado. Além de falar sobre a heroína, Dylan, então com 24 anos, revela na fita que pensou em cometer suicídio.
"A morte para mim não é nada... a morte para mim não significa nada, contanto que eu possa morrer rápido. Por muitas vezes eu soube que eu poderia facilmente ter ido em frente e feito isto", afirma o cantor. "Admito que tenho esta coisa suicida... Mas sobrevivi desta vez", acrescentou. Indagado sobre suas composições, Dylan disse que levava seu trabalho "menos a sério do que qualquer pessoa, destacando que "isso não vai me fazer feliz". "Você não pode ser feliz fazendo uma coisa legal", afirmou.
Voltando ao tema do suicídio, o jovem cantor reflete: "Não sou o tipo de cara que vai cortar fora uma orelha se não consegue fazer alguma coisa. Sou o tipo de cara que simplesmente cometeria suicídio. Daria um tiro na cabeça se as coisas ficassem ruins; pularia de uma janela... Cara, eu daria um tiro em mim mesmo. Você sabe que eu posso pensar sobre a morte, abertamente."
As fitas da entrevista foram descobertas durante a pesquisa para a edição revisada da biografia de Bob Dylan, "No Direction Home", assinada por Robert Shelton e publicada pela primeira vez em 1986. A nova edição coincide com o aniversário de 70 anos do cantor, na próxima terça-feira.