Arte & Agenda

"Boi Neon" e "Mãe Só Há Uma" não vão participar de seleção para o Oscar

Gabriel Mascaro e Anna Muylaert tomaram decisão em defesa de Kleber Mendonça Filho

Anna Muylaert decidiu não inscrever "Mãe Só Há Uma" na disputa
Anna Muylaert decidiu não inscrever "Mãe Só Há Uma" na disputa Foto : Version Originale / Condor / Divulgação / CP
Os filmes "Boi Neon" e "Mãe Só Há Uma" não vão participar da seleção que define o indicado do Brasil ao Oscar de 2017. Os cineastas Gabriel Mascaro e Anna Muylaert saíram em defesa do colega Kleber Mendonça Filho, diretor de "Aquarius", ao optarem por não inscrever seus longas.

Para eles, Mendonça Filho saiu prejudicado da decisão da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura de convocar o crítico Marcos Petrucelli para integrar o júri que escolhe o candidato brasileiro ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Em seu perfil no Facebook, Petrucelli faz, desde maio, reiteradas críticas pessoais a Mendonça Filho, e também ao protesto feito pela equipe dele contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, no Festival de Cannes. No começo de agosto, ao anunciar a comissão, que tem nove membros e é trocada anualmente, o secretário do Audiovisual, Alfredo Bertini, disse que "a composição (do grupo) buscou contemplar as diversas etapas da cadeia produtiva do audiovisual e ter diversidade regional, com nomes com currículo robusto de diversas partes do Brasil".

"Não vamos participar porque o ano é do 'Aquarius'. É o mais cotado, pelo histórico em Cannes. Kleber está sofrendo perseguições sutis. Colocam na comissão alguém que o odeia e diz isso em público, então é algo aparentemente tendencioso. E agora vem essa indicação de 18 anos. São pequenas retaliações", disse Anna. A cineasta fez referência à decisão do Ministério da Justiça de classificar "Aquarius" para maiores, por conta de cenas de "sexo explícito e drogas".

Diretor de "Boi Neon", Mascaro divulgou uma nota em que questiona a capacidade da comissão de fazer um julgamento imparcial. "É lamentável que o Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual, endosse na comissão de seleção um membro que se comportou de forma irresponsável e pouco profissional ao fazer declarações, sem apresentação de provas, contra a equipe do filme 'Aquarius', após o seu protesto no tapete vermelho de Cannes. 'Aquarius' foi o único filme latino-americano na competição oficial de Cannes, tendo sido aclamado pela crítica internacional. Diante da gravidade da situação e contrários à criação de precedentes desta ordem, registramos nosso desconforto em participar de um processo seletivo de imparcialidade questionável", afirmou.

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