Um dos artistas confirmados entre os integrantes da próxima Bienal do Mercosul, o paraense Caio Aguiar, que se manifesta através de uma personagem chamada Bonikta, estará em Porto Alegre durante a próxima semana produzindo uma intervenção artística inédita em uma das paredes do Instituto Ling, como parte da programação do projeto Ling Apresenta: Amazônias, no tremor das vidas. De segunda a sexta-feira (3 a 7 de fevereiro), das 10h30 às 20h, o público poderá acompanhar gratuitamente e ao vivo a criação da nova obra, observando o processo criativo e as técnicas utilizadas pelo artista durante a feitura do mural, que ocupará um espaço com 6m de largura e quase 3m de altura.
O multiartista independente, que transita por diversas linguagens, como pintura, fotografia, desenho digital, grafite, lambe-lambe, ilustração, vídeo, animação, tatuagem e confecção de máscaras, trará para a capital gaúcha suas vivências pessoais, inspirado pelo imaginário originário e interiorano amazônico. Natural de Ourém, ele começou a se manifestar através das Boniktas quando se mudou para a capital Belém, para cursar a faculdade. A diferença entre os dois locais evidenciou para o artista a fusão entre as diversas Amazônias existentes, refletindo em seus trabalhos a construção de pontes simbólicas entre o interior e a cidade, a rua e a floresta.
Após a finalização da obra, haverá um um bate-papo com o Caio no sábado (8 de fevereiro), às 11h, em frente ao mural, comentando suas inspirações para o trabalho e a experiência no centro cultural. Para participar da conversa, basta fazer a inscrição sem custo no site. O trabalho ficará exposto para visitação até o dia 15 de março, com entrada franca.
O “Ling Apresenta: Amazônias, no tremor das vidas” tem curadoria de Vânia Leal e o objetivo de aproximar o Rio Grande do Sul da cultura amazônica, convidando jovens talentos do Norte do país a criarem diferentes trabalhos no centro cultural. A iniciativa já recebeu a artista visual paraense Bárbara Savannah, com um mural que trouxe referências do seu cotidiano na Ilha do Marajó; o paraense Éder Oliveira, que investiga a relação entre retrato e identidade, tendo como foco o homem amazônico; além da artista indígena Sãnipã, do Povo Apurinã, que retratou a seca histórica e as queimadas que atingiram o seu Estado em 2024. No canal do YouTube do Instituto Ling é possível conferir minidocumentários sobre a participação de todos os artistas que já fizeram parte do projeto.
Mais sobre o artista
Caio Aguiar, vulgo Bonikta, é multiartista independente, estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Artes na UFSB (Universidade Federal do Sul da Bahia). Participou da primeira edição da Bienal das Amazônias, além de outras exposições coletivas, como Delírio Tropical, na Pinacoteca do Ceará. Em 2025, integrará a 14ª Bienal do Mercosul. Vive e trabalha em Belém, no Pará.
Sobre a curadora
Vânia Leal Machado nasceu em Macapá, no Amapá, e vive e trabalha em Belém, no Pará. É mestre em Comunicação, Linguagem e Cultura e atua na área de curadoria e pesquisa em Artes, tendo participado de júris de seleção e premiação e organizações de salões. Foi curadora educacional do projeto Arte Pará e fez a curadoria de exposições como “Mastarel: Rotas Imaginais” (2019), de Elaine Arruda, no Banco da Amazônia; “Tecidos de Certeza” (2019), de Elisa Arruda, na Galeria Elf; “Coleção Eduardo Vasconcelos” (2021), nas Galerias Theodoro Braga e Benedicto Nunes no Centur; “A Inversão do cotidiano” (2022), de Elisa Arruda, na Galeria Ruy Meira; “Nhe Amba” (2022), de Xadalu Tupã Jekupe, no SESC Paraty; e “Gravado na Alma” (2023), de Eduardo Vasconcelos, no Banco da Amazônia. Também foi curadora da primeira Bienal das Amazônias em 2022-2023. Atualmente, é diretora de projetos da Bienal das Amazônias e faz parte do grupo de crítica do Centro Cultural São Paulo.