O cinema e a televisão brasileiros chegam a 2026 não pedindo licença, mas batendo à porta dos Prêmios Platino com força, diversidade e ambição. As pré-indicações anunciadas nesta quinta-feira em Madri escancaram um momento raro e precioso. Um momento de maturidade criativa do audiovisual nacional dentro do ecossistema ibero-americano. Não se trata apenas de números, embora eles impressionem; trata-se de presença, relevância e identidade. Os Prêmios Platino 2026 serão entregues no sábado, dia 9 de maio, no Teatro Gran Tlachco do Parque Xcaret, na Riviera Maya.
“O Filho de Mil Homens” e “O Agente Secreto” lideram esse movimento com autoridade. Onze e oito pré-indicações, respectivamente, não são apenas um reconhecimento técnico ou artístico. Com estas possiblidades de prêmios, entre outras, o Brasil voltou a disputar o centro do palco, dialogando com o público internacional sem abrir mão de suas contradições, afetos e feridas. Daniel Rezende e Kleber Mendonça Filho representam dois modos distintos, e igualmente potentes de pensar o cinema brasileiro contemporâneo. Um mais voltado ao drama humano e à emoção coletiva, e outro afiado, político e profundamente autoral.
O impacto se amplia quando olhamos para o conjunto. Séries como “Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente” e “Ângela Diniz: Assassinada e Condenada” dominam as categorias de minisséries, enquanto títulos como “Manas”, “O Último Azul”, “Homem com H” e “Vitória” revelam um país capaz de produzir narrativas íntimas e universais, populares e sofisticadas, políticas e sensoriais. A presença de nomes como Fernanda Montenegro, Wagner Moura, Denise Weinberg, Dira Paes e Jesuíta Barbosa reafirma uma constelação de intérpretes que atravessa gerações sem perder vigor.
Mais provocativo ainda é perceber como o Brasil ocupa hoje quase todos os territórios narrativos: da comédia ao documentário, da animação às séries de longa duração. “Apocalipse nos Trópicos”, “Milton Bituca Nascimento” e “Ritas” dialogam com a memória e o presente; “Abá e sua Banda” e “A Natureza das Coisas Invisíveis” mostram que imaginar futuros também é um ato político. É um audiovisual que não se contenta em entreter, quer formar, provocar e educar.
Os Prêmios Platino, nesse contexto, deixam de ser apenas uma vitrine para se consolidarem como um espaço estratégico de integração cultural ibero-americana. Ao longo dos últimos anos, a participação brasileira cresceu de forma consistente, acompanhando a retomada da indústria e a explosão criativa pós-pandemia. O aumento contínuo de obras inscritas evidencia um setor que se reorganiza, se profissionaliza e entende o valor de circular internacionalmente. No ano passado, entre os troféus, o filme “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, saiu com os de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz para Fernanda Torres
Estar no Teatro Gran Tlachco, na Riviera Maya, é mais do que disputar estatuetas. É afirmar que o audiovisual brasileiro pertence a esse diálogo transnacional, onde idiomas, histórias e estéticas se cruzam. Em 2026, o Brasil não aparece como coadjuvante exótico, mas como protagonista incômodo, plural e indispensável. E isso, para quem acompanha a história recente do cinema nacional, é não apenas uma vitória simbólica, é um sinal claro de futuro.
As pré-indicações de cada obra brasileira.
"O FILHO DE MIL HOMENS”
MELHOR FILME, DIREÇÃO e ROTEIRO (Daniel Rezende), ATOR COADJUVANTE (Johnny Massaro), ATRIZ COADJUVANTE (Grace Passô), MÚSICA ORIGINAL, DIREÇÃO DE ARTE, FOTOGRAFIA, DIREÇÃO DE SOM, EFEITOS ESPECIAIS e MAQUIAGEM.
“O AGENTE SECRETO”
MELHOR FILME, DIREÇÃO e ROTEIRO (Kleber Mendonça Filho), INTERPRETAÇÃO MASCULINA (Wagner Moura), MÚSICA ORIGINAL, MONTAGEM, DIREÇÃO DE ARTE e FIGURINO.
“MANAS”
MELHOR FILME, OBRA PRIMA (Marianna Brennand), ATRIZ COADJUVANTE (Dira Paes), MONTAGEM e EDUCAÇÃO EM VALORES.
“O ÚLTIMO AZUL”
INTERPRETAÇÃO FEMININA (Denise Weinberg), ATOR COADJUVANTE (Rodrigo Santoro), EFEITOS ESPECIAIS.
“HOMEM COM H”
INTERPRETAÇÃO MASCULINA (Jesuíta Barbosa), DIREÇÃO DE SOM, FOTOGRAFIA, FIGURINO e MAQUIAGEM.
“VITÓRIA”
INTERPRETAÇÃO FEMININA (Fernanda Montenegro).
GÊNERO COMÉDIA
“CIC – Central de Inteligência Cearense”,
“Uma Mulher sem Filtro”
“Kasa Branca”, também indicada para o Prêmio de Educação em Valores.
DOCUMENTÁRIOS
“Apocalipse nos Trópicos”,
“Milton Bituca Nascimento”
“Ritas”.
ANIMAÇÃO
“Abá e sua Banda”;
“A Natureza das Coisas Invisíveis” ganhou pré-indicação ao Prêmio de Valores em Educação.
MINISSÉRIES
"MÁSCARAS DE OXIGÊNIO NÃO CAIRÃO AUTOMATICAMENTE”
MELHOR MINISSÉRIE OU TELESSÉRIE, MELHOR CRIADOR (Thiago Pimentel, Patrícia Corso, Leonardo Moreira), INTERPRETAÇÃO MASCULINA (Johnny Massaro), INTERPRETAÇÃO FEMININA (Bruna Linzmeyer), ATRIZ COADJUVANTE (Hermila Guedes), MONTAGEM, DIREÇÃO DE ARTE, FOTOGRAFIA, DIREÇÃO DE SOM, FIGURINO e MAQUIAGEM.
"ÂNGELA DINIZ: ASSASSINADA E CONDENADA”
MELHOR MINISSÉRIE OU TELESSÉRIE, INTERPRETAÇÃO FEMININA (Marjorie Estiano), ATOR COADJUVANTE (Thiago Lacerda), MÚSICA ORIGINAL, DIREÇÃO DE ARTE, FOTOGRAFIA, FIGURINO, EFEITOS ESPECIAIS, e MAQUIAGEM.
"TREMEMBÉ"
INTERPRETAÇÃO FEMININA (Marina Ruy Barbosa) , ATOR COADJUVANTE (Felipe Simas), ATRIZ COADJUVANTE (Bianca Comparato).
“OS DONOS DO JOGO"
MELHOR MINISSERIE OU TELESSÉRIE, MELHOR CRIADOR (Heitor Dhalia), INTERPRETAÇÃO MASCULINA (Chico Díaz), COADJUVANTE MASCULINO (Xamã), MÚSICA ORIGINAL, EFEITOS ESPECIAIS,
“Maria e o Cangaço” (Direção de Som) e “Pssica” (Montagem) completam esta lista.
Já para as minisséries de longa duração, as pré-indicações ficaram com “Beleza Fatal” e “Guerreiros do Sol”.