"Pequeno Segredo", dirigido por David Schurmann, é o representante brasileiro na disputa por uma indicação no Oscar 2017. O longa desbancou "Aquarius", de Kleber Mendonça Filho, que vinha sendo apontado como favorito para tentar a vaga. O anúncio foi feito na tarde desta segunda-feira em uma cerimônia na Cinemateca, em São Paulo.
O representante do Brasil vai concorrer a uma das cinco vagas da categoria de melhor filme estrangeiro. Dentre alguns dos títulos que já estão na disputa estão "Julieta", de Pedro Almodóvar, pela Espanha, e "Toni Erdmann", de Maren Ade, pela Alemanha. Cada país seleciona uma produção para uma pré-lista, os semifinalistas serão conhecidos em dezembro e os cinco indicados finais são anunciados no dia 24 de janeiro.
Baseado em um caso real, "Pequeno Segredo" narra a história de Kat, menina portadora de HIV adotada pela família Schurmann, famosa por ser a primeira tripulação brasileira a dar a volta ao mundo em um veleiro, em uma de suas viagens. O longa ainda é inédito no circuito comercial tem no elenco Julia Lemmertz, Maria Flor, Fionnula Flanagan, Marcello Antony, Erroll Shand e Mariana Goulart.
A história da menina também inspirou também o livro "Pequeno segredo: A lição de vida de Kat para a família Schurmann", escrito por Heloísa Schurmann. O best-seller foi lançado em 2012.
No total, 16 filmes disputaram a indicação do país. "Além dos critérios óbvios - técnicos e artísticos - existia também um pensamento de tentar escolher um filme que chegasse nos americanos e tivesse mais chance de agradar", ressaltou
Rodrigues, que falou como porta-voz, na ausência do presidente da comissão, o cineasta Bruno Barreto. O crítico Marcos Petrucelli, que também integrou a comissão, defendeu a escolha, apesar da forte repercussão internacional de outro candidato - "Aquarius". "O 'Aquarius' ganha essa projeção nos Estados Unidos porque é um filme já visto, ele passou no festival de Cannes", disse ao lembrar que "Pequeno Segredo" ainda não foi lançado comercialmente. A estreia do filme está prevista para o próximo dia 22.
Polêmica
A presença de Petrucelli na comissão causou protestos no meio artístico, que questionou a isenção do crítico para participar da análise dos filmes. Ele havia feito duras críticas ao protesto do diretor Kleber Mendonça e atores do filme "Aquarius" , durante o Festival de Cinema de Cannes, na França, em maio.
O posicionamento do membro da comissão levou a equipe de outro filme, "Boi Neon", dirigido por Gabriel Mascaro, a retirar a produção da lista de inscritos para receber a indicação brasileira. "É lamentável que o Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual, endosse na comissão de seleção um membro que se comportou de forma irresponsável e pouco profissional", dizia o comunicado divulgado no último dia 24 de agosto nas redes sociais.
A equipe de "Boi Neon" também defendeu os méritos da outra produção. "'Aquarius' foi o único filme latino-americano na competição oficial de Cannes, tendo sido aclamado pela crítica internacional. Diante da gravidade da situação e contrários à criação de precedentes desta ordem, registramos nosso desconforto em participar de um processo seletivo de imparcialidade questionável", acrescenta a nota publicada na ocasião.
Comissão
A atriz Ingra Liberato e o diretor Guilherme Fiuza deixaram a comissão responsável pela escolha do representante brasileiro no Oscar antes do início do processo de seleção. Ingra divulgou um comunicado nas redes sociais em que também dizia que a comissão tinha "sua legitimidade questionada por grande parte da classe artística". Fiuza alegou motivos pessoais para não participar da seleção. Eles foram substituídos pelo cineasta Bruno Barreto e pela atriz e realizadora Carla Camurati.
Assista ao trailer de "Pequeno Segredo":
Brasil indica "Pequeno Segredo" para tentar vaga no Oscar
Desbancando "Aquarius", filme foi anunciado como representante do país nesta segunda