Com representantes de várias partes do mundo, o Festival Internacional de Cinema de Berlim, começa oficialmente no próximo dia 15 e entrega seus prêmios aos vencedores no domingo, dia 25. Nesta 74ª edição, a participação brasileira está sendo festejada. No início deste ano haviam sido confirmados apenas três filmes brasileiros em diferentes mostras do festival. Com o passar das semanas, este número aumentou, com brasileiros participando tanto em projetos nacionais como internacionais. Este fato, por si só, já mostra como o audiovisual brasileiro, depois de passar por anos em que amargou a falta de apoio do governo, vai retomando sua força criativa e de produção.
E quando se trata do evento alemão, vale lembrar a importância mundial do evento, que apresenta ao mundo importantes produções, abrindo portas e janelas no setor. O 74º Festival de Berlim é também o quinto e último festival em Berlim que terá a frente o diretor artístico Carlo Chatrian, reconhecido cinéfilo italiano, ex-crítico de cinema, que já havia dirigido o Festival Internacional de Cinema de Locarno. Em setembro do ano passado, ele foi demitido pela ministra alemã de Cultura, Claudia Roth. O fato provocou reações entre produtores, diretores e outros atores do universo do cinema.
Mas, mesmo com esta mudança, a produção brasileira vai estar representada no Festival de Berlim em mostras como a “Panorama”, a “Fórum” a “Geração” e a “Encounters”.
Na mostra “Panorama”, estará presente o filme “Betânia”, de Marcelo Botta, com Diana Mattos. Na trama, depois de perder o marido, a parteira Betânia, de 65 anos, é persuadida pelas filhas a deixar a sua aldeia remota. Ela se aproxima das dunas dos Lençóis Maranhenses, no norte do Brasil, e se aventura num novo começo.
Já no espaço da mostra “Fórum” será exibido o filme “Quebrante” dirigido pela realizadora Janaína Wagner. Na obra, surgem dois momentos. No primeiro, Erismar, professora aposentada e espeleóloga, percorre as cavernas, ruínas e fantasmagorias da Rodovia Transamazônica, retratando suas pedras e fantasmas. Retratando suas pedras e fantasmas, a obra apresenta passado e o presente desse projeto infraestrutural, iniciado na ditadura militar.
Outra participação é do filme “Lapso”, na Mostra “Geração”, mostrando o trabalho de Carolina Cavalcanti neste curta-metragem. Com Beatriz Oliveira e Juan Queiroz o projeto mostra dois adolescentes da periferia de Belo Horizonte, no Brasil, enquanto cumprem juntos medidas socioeducativas. Se aproximam lentamente a partir das várias experiências repressivas que vão tendo.
Também faz estreia mundial em solo alemão “Cidade; Campo”, o mais recente trabalho da diretora Juliana Rojas, que será apresentado na “Berlinale Encounters”, ponto de encontro de cineastas, produtores, programadores, críticos de cinema e cinéfilos. Com locações na cidade de São Paulo e na zona rural do estado de Mato Grosso do Sul, “Cidade; Campo” trata da migração entre o meio urbano e o rural. Nesta categoria, as produções concorrem aos prêmios de Melhor Filme, Melhor Direção e Prêmio Especial do Júri. Here (Bas Devos) e Tatiana Huezo (El Eco), que foram premiados no ano passado.