Arte & Agenda

Câmera Record conta histórias de famílias que buscam justiça para os filhos

Programa narra histórias destes pais detetives

Equipe da Record TV acompanhou uma das buscas que Pedro Sebastião da Silva, pai de Bruno, fez por conta própria
Equipe da Record TV acompanhou uma das buscas que Pedro Sebastião da Silva, pai de Bruno, fez por conta própria Foto : Record TV

Sem respostas da polícia e movidos pelo desespero, muitas famílias arriscam-se em investigações particulares para desvendar crimes envolvendo os filhos. Estes pais detetives são o tema do Câmera Record desde domingo, a partir das 23h45min, na Record TV. O programa narra algumas destas histórias e também conversa com especialistas que avaliam o papel destas pessoas nos casos e revelam o impacto na vida de quem perde alguém em um crime violento, as chamadas “vítimas ocultas”.
 
Um deles é Pedro Sebastião da Silva, pai de Bruno. “Eu olhei para o delegado e falei: 'Doutor, eu vou achar o corpo do meu filho'", relembra. A promessa revelava a falta de esperança de um pai sem notícias do filho há vários dias. A promessa foi cumprida.  Uma testemunha havia feito um relato contundente: Bruno teria sido baleado e sequestrado. Pedro seguiu diversas pistas. Uma equipe da Record TV acompanhou uma das buscas que ele fez por conta própria e registrou o momento devastador em que ele encontrou  o corpo de Bruno.
 
Mas até onde os pais que saem em busca de justiça podem ir em uma investigação sem comprometer o caso? "Os pais nos ajudam muito, porque, embora eles tenham a emoção, a aflição e a perda, eles ligam para a gente sempre com alguma informação", afirma Ivalda Aleixo, delegada do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope) da Polícia Civil de São Paulo. Já o promotor de Justiça Paulo Panaro Filho tem um tom cauteloso ao falar das investigações por conta própria. "Eu não recomendo que nenhum cidadão o faça. Exija do Estado, exija que o Estado faça", diz.
 
O filho de Maria das Graças Nacort saiu para comprar cigarros e nunca mais voltou. Foi encontrado morto perto de casa. Para investigar a morte de Pedro, a mãe chegou a se infiltrar entre moradores de rua. "Se você quer descobrir alguma coisa, segue um morador de rua. Eles sabem de tudo", afirma. "Ah, se as pessoas soubessem o que é tirar a vida de um filho. Eles não mataram só o Pedro Nacort Filho, eles me mataram", afirma, emocionada. No Câmera Record, ela relembra como conseguiu ajudar a encontrar respostas para o caso.
 
De acordo com a pesquisadora Dayse Assunção Miranda, uma única morte brutal pode mesmo abalar bastante a família. "Tecnicamente, 'vítimas ocultas' é um termo cunhado para designar pessoas, parentes, amigos que tenham perdido alguém por morte violenta. Indiretamente, esses estudos mostram que essas pessoas têm a sua saúde mental afetada, a sua saúde física afetada e, principalmente, a sua vida cotidiana afetada", explica. No podcast do Câmera Record, a pesquisadora detalha os estudos sobre este tema. 

 

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