Neste final de semana, o Caderno de Sábado coloca em destaque quatro livros que completam 100 anos em 2015. O fato, conforme explica Juremir Machado, não é corriqueiro, pois “a literatura tem as suas safras extraordinárias e suas crises sazonais”. Para o escritor e jornalista, não resta dúvida: 1915 foi incrível porque foi o ano da publicação de “A Viagem”, de Virginia Woolf; “A Metamorfose”, de Franz Kafka; “Servidão Humana”, de William Somerset Maugham, e “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto.
Apesar de terem um ponto em comum – o fato de falarem da vida como algo universal e complexo, estabelecendo pontes entre o individual e o geral -, cada obra entrou para a história e se manteve viva por outros motivos distintos. Para Juremir, “Servidão Humana” se destaca por mostrar que o sentido da existência humana mudou nesses cem anos, ainda que muitos temas abordados por Maugham sejam extremamente atuais, como o bullying.
Em artigo para o Caderno de Sábado, Vika Schabbach, pesquisadora do trabalho de Virginia Woolf, analisa o primeiro romance da britânica a partir de seu enredo pessoal. Segundo ela, “A Viagem” pode significar um verdadeiro passeio interior da autora, que passou por muitas transformações enquanto escrevia a trajetória de Rachel, a personagem principal.
O caráter íntimo também é percebido por Nilson Luiz May, membro da Academia de Medicina e da Academia de Letras do Rio Grande do Sul, em “A Metamorfose”. De acordo com o especialista, Kafka apresenta uma imersão em seu universo familiar nesta obra, que o consagrou como um dos nomes que abriram as portas para a evolução da literatura no século XX.
Por outro lado, o crítico de cinema Eron Duarte Fagundes comenta que o brasileiro Lima Barreto conseguiu criar uma obra atemporal em “Triste Fim de Policarpo Quaresma”. Conforme relata nesta edição, isso acontece porque o livro narra a história de um cidadão desiludido com o cenário social do país e que se contenta em aproveitar as pequenas alegrias do cotidiano – abordagem que, mesmo centenária, pode ser muita próxima dos contextos do nosso tempo.
Caderno de Sábado aborda a magia dos livros centenários
Publicação fala sobre quatro obras publicadas em 1915