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Caderno de Sábado analisa atentado ao Charlie Hebdo

Pensadores falam sobre a tragédia e projetam os rumos da liberdade

Pensadores falam sobre a tragédia e projetam os rumos da liberdade
Pensadores falam sobre a tragédia e projetam os rumos da liberdade Foto : André ávila / CP Memória
Após o choque inicial causado pelo atentado ao jornal satírico francês Charlie Hebdo, que deixou o mundo inteiro atônito, o Caderno de Sábado apresenta uma ampla análise do episódio, revelando um panorama político e cultural que coloca a liberdade no centro do conflito.

“A França é marcada pelo direito de sátira, de crítica e de livre pensamento, e isso vem desde o século XVIII. Porém, atualmente, esse comportamento se choca com outra grande questão em foco, que é a de se respeitar o diferente. E é por isso que hoje o que era possível já não é mais”. Com essas palavras, o jornalista e escritor Juremir Machado, coordenador editorial do Caderno de Sábado, antecipa a complexidade da situação.

Para ele, que passou os últimos dias em contato com grandes pensadores refletindo a cerca do assunto, a tragédia ocorrida provoca uma tensão entre diferentes pontos de vista – que, na verdade, vão além das diferenças entre os ideais libertários franceses e as tradições muçulmanas. “O atentado trouxe à tona o conflito entre tudo poder ou não ser permitido. Ou entre o politicamente correto e incorreto e o que eles trazem ao nosso cotidiano”, afirma.

A partir disso, Juremir é taxativo: a partir de agora, é preciso construir um caminho que solucione essas lacunas e delimite, especialmente, o humor. “De todo esse mal, o episódio trouxe algo bom, que é a obrigatoriedade de todos pensarem em algo mais coerente sobre os valores permitidos, entre eles o respeito, a crença e a liberdade de expressão”. A discussão estará presente na edição deste final de semana do Caderno de Sábado em artigos de seis pensadores, cinco franceses e um brasileiro.

Tais filósofos e sociólogos projetam o futuro com base em um repensar do modelo político-social europeu e de uma aceitação da diversidade de pensamento e credo. Michel Maffesoli fala sobre a necessidade de se reconhecer as mudanças e Philippe Joron alerta que, em um mundo de barbárie, pessoas seguirão morrendo por seu credo ou religião. Para Bertrand Richard, os próprios franceses pedem por mudanças na estrutura do país, enquanto Emanual Jaffelin aborda a resistência da França contra qualquer obscurantismo. Sébastien Charles traça diversas tensões da hipermodernidade, levando à conclusão de Daniel Sebastiani de que a culpa pelos atentados ultrapassa qualquer fanatismo.

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