Em sintonia com os atuais desafios da comunicação em relação à tecnologia e à política, o sociólogo francês Dominique Wolton, diretor de pesquisa no Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França, esteve em Porto Alegre no mês de setembro para o seminário “20 anos de Internacionalização e de Cooperação”, promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUCRS, e produziu especialmente para o Caderno de Sábado um texto sobre as complexas relações entre jornalismo, tecnologia e democracia, intitulado "Tecnologia e Democracia: a Responsabilidade dos Jornalistas e Pesquisadores".
Autor de mais de trinta livros de ciências sociais, entre os quais “Elogio do Grande Público”, “Pensar a comunicação”, “Internet, e depois?” e “Informar não é comunicar” (Sulina), Wolton faz a distinção entre informação e comunicação ao longo do tempo: "A vitória da democracia e do progresso tecnológico garantiu o triunfo da informação, ou seja, a supremacia da mensagem. Mas a comunicação continua a ser o mais complicado, isto é, a relação, o vínculo com os outros, o contato com a diferença. Na comunicação, sonhamos que os outros se pareçam conosco, mas nunca é assim. É por isso que, por trás da vitória da informação, aparecem as dificuldades de comunicação, em outras palavras, a relação e o lugar do outro na sociedade. Comunicar é negociar com os outros. É por isso que quase todo mundo prefere a informação à comunicação e a mensagem à relação", afirma, ressaltando que a grande ruptura do século XXI será colocar em primeiro plano esta relação com suas dificuldades e desafios.
O pensador exorta os jornalistas e pesquisadores a terem distanciamento em relação à tecnologia. Assumir o controle dessa relação significa conseguir um distanciamento com base na convicção de que informação, conhecimento, cultura e comunicação não são apenas questões técnicas e econômicas. Esses quatro conceitos são, antes de tudo, políticos. Deve ser possível debater livre e contraditoriamente sobre eles, que precisam ser definidos primeiramente por valores e não por aspectos econômicos e tecnológicos. Conclusão: é liberando informação, cultura, comunicação e conhecimento do tecnicismo, ou seja, distinguindo-os da performance do sistema, que poderemos fazer avançar a reflexão e garantir o verdadeiro conhecimento".
O Caderno de Sábado também conta com entrevistas, feitas pelo editor assistente do Arte & Agenda, Daniel Soares, com Beto Bruno, da Cachorro Grande e o produtor musical Edu K sobre o novo disco da Cachorro, "Costa do Marfim", além de um bate-papo com o filósofo e escritor Jéferson Assumção sobre seu novo livro "A Vaca Azul é Ninja em uma Vida entre Aspas", uma prévia de "Elis, a Musical", que estará em cartaz na próxima semana em Porto Alegre e as atrações do final de semana cultural.