O auditório Araújo Vianna recebeu um grande encontro musical na noite desta quinta-feira, com o show "Caetano Veloso apresenta Teresa Cristina" - que antes de chegar à Capital rodou o mundo, passando por Europa, Ásia e América do Norte. Os dois, mais o violonista Carlinhos Sete Cordas, tocaram ao longo de duas horas canções de épocas, gêneros e emoções distintas. Tudo com a simplicidade de uma apresentação voz e violão, mas com um coro de uma plateia encantada.
Caetano foi o primeiro a subir no palco, mas aí foi apenas breve, para apresentar, de fato, Teresa Cristina, que chegava a um palco de Porto Alegre pela primeira vez em seus 18 anos de carreira. Ao lado de Carlinhos, a auto-declarada portelense dedicou a parte inicial do show ao mangueirense Cartola. O show já abriu em alta, com "O Mundo é um Moinho" e foi viajando pelo universo de Cartola até chegar a "Rosas Não Falam", lindamente cantada por um público hipnotizado.
Em seguida Caetano os substituiu. Sozinho no palco, acompanhado apenas de um violão e um copo de água, praticamente intocado ao longo da hora seguinte. Abriu sua participação, quase parecendo tímido, com "Um Índio". Baiano, Caetano foi tocando sem pressa. Música atrás de música. Algumas desconhecidas, como ele mesmo admitiu. "Comecei a montar este show ainda no final da turnê que fiz com Gil. Quis colocar aqui algumas músicas mais desconhecidas. Tomara que eu lembre", brincou.
De pouco a pouco, surgiu até "Menino Deus", música composta em Porto Alegre, após ele ver uma placa do bairro. De mais um pouco, "Enquanto Seu Lobo Não Vem", do álbum "Tropicália". Caetano citou: "Uma música sobre as manifestações contra a ditadura militar. Sobre passeata e medo".
Mas nem só de Lado B foi sua parte. De seu vasto repertório, Caetano tocou sucessos mais antigos, como "Leãozinho", "Menino do Rio", "Força Estranha", "Reconvexo", "Sozinho", e mais recentes, como "Abraçaço", entre (muitos) outros sucessos, lembrados e aplaudidos pelo Araújo Vianna. De pernas cruzadas e com seu violão, Caetano agradecia às vezes economizando as palavras, limitando-se a abrir os braços, como num abraço.
E foram quase três dezenas de músicas assim, até a sua última solo: "Tieta", cujo refrão foi cantado repetidamente pelo público enquanto ele se despedia e agradecia.
A parte final do show contou com o trio reunido no palco e o público já de pé, ali perto. Foram mais alguns bons minutos de música boa, começando com "Tigresa" e encerrando, depois de algumas outras, com "Odara", o que tornou impossível deixar o Araújo Vianna sem cantarolar e dançar.
Caetano apresenta Teresa Cristina embalado por grandes sucessos
Show lotou o Araújo Vianna na noite desta quinta-feira